Argentina precisa do acordo com FMI até dia 14 de julho
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segunda-feira, 17 de junho de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - As negociações da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI) prolongam-se sem que exista uma possibilidade de conseguir um acordo financeiro mais rapidamente. Ontem, o presidente Eduardo Duhalde afirmou que o dia 14 de julho seria o limite para se conseguir um acordo com o Fundo. Teria que ser nessa data, já que depois os organismos financeiros internacionais entram no recesso de verão (do Hemisfério Norte). Além disso, no dia 15 de julho vencem os prazos para o pagamento das dívidas que a Argentina possui com o FMI.
Mas Gabriel Rubinstein, assessor do Ministério da Economia, afirmou que o acordo poderia demorar um pouco. Segundo ele, se a Argentina não conseguir o acordo com o Fundo, e as reservas forem utilizadas para pagar as dívidas com esse e outros organismos financeiros, daqui a pouco tempo o país ficará sem reservas internacionais. Isso pode produzir, sem dúvida, uma escalada intensa do dólar, além de uma situação incontrolável.
Os integrantes da missão do FMI tiveram ontem uma série de reuniões com assessores do Ministério da Economia e do Banco Central para analisar a emissão monetária deste ano. Calcula-se emitir 7 bilhões de pesos ao longo de 2002. Parte da emissão estará condicionada pela saída de fundos do corralito (semi-congelamento de depósitos bancários) causada pelos processos na Justiça contra o confisco. A sangria de fundos continua apesar da criação, em abril, de uma lei que restringe os processos judiciários.
Na última quarta-feira as reservas caíram pela primeira vez em mais de onze anos abaixo do limite psicológico de US$ 10 bilhões, e estão em US$ 9,47 bilhões. Segundo Abel Viglione, um dos principais economistas da Fundação de Investigações Econômicas Latino-Americanas (FIEL), as reservas estão caindo para manter o tipo de câmbio. Ele lamentou que as intervenções sejam sempre para vender dólares.
Para María Castiglioni, analista da consultora Orlando Ferreres e Associados, ainda existe uma margem relativamente ampla para a redução das reservas internacionais. Segundo ela, a faixa de US$ 10 bilhões acende uma luz amarela. O problema, afirma, seria a luz vermelha, que se acenderia quando as reservas chegarem a US$ 6 bilhões.


