Buenos Aires O governo do presidente Eduardo Duhalde soltou ontem pela manhã um suspiro de alívio ao ouvir as declarações do porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), Thomas Dawson, que afirmou que os técnicos do organismo financeiro definiriam um ''acordo provisório'' com a Argentina. O porta-voz comentou que o acordo proporcionará à Argentina ''um pouco de ar'' antes das eleições presidenciais de abril.
Segundo Dawson, os técnicos trabalharão especialmente na área fiscal, para ''definir um programa que respaldaria um superávit primário de 2,5% para o ano 2003''. Além disso, os técnicos do Fundo pretendem ''desenvolver as medidas necessárias para manter as âncoras monetárias, para poder capitalizar aquilo que foi uma melhoria no desempenho fiscal e da inflação em 2002''.
Dawson explicou que ontem à noite, uma missão do FMI partiria de Washington com destino a Buenos Aires para elaborar os detalhes do acordo provisório. O Fundo pretende que o acordo a ser assinado com o governo Duhalde seja de poucos meses, já que em maio tomará posse o novo presidente.
Extraoficialmente comenta-se que o acordo poderia ter uma duração de oito meses, até o dia 31 de agosto. Desta forma, o novo presidente teria três meses para negociar um acordo definitivo com o FMI. O acordo implicaria na reprogramação de dívidas de US$ 4,5 bilhões que a Argentina possui com o FMI. Além disso, o governo pretende conseguir do FMI o apoio para reprogramar dívidas que possui com o Banco Mundial e o Banco Inter-americano de Desenvolvimento (BID).
No entanto, o governo Duhalde permanecia ontem no fim do dia ainda com os dedos cruzados, já que a decisão final seria tomada pela diretoria do Fundo, que esteve reunida ontem durante longas horas discutindo o caso argentino. O presidente Duhalde sustentou que a ''parte técnica do acordo'' já estava ''completa'', e que acreditava que ''não ocorreriam mais dificuldades para que neste mês possamos fechar o acordo''.
Mas, o chanceler Carlos Ruckauf, que é o integrante do governo encarregado de fazer declarações mais ''duras'' sobre o Fundo, afirmou que a Argentina ''não aceitará que o FMI imponha condições incompatíveis com o crescimento econômico da Argentina''. Ainda ontem, o governo Duhalde anunciou mais uma etapa na eliminação das restrições cambiais. Segundo o Banco Central, seria elevado, desde ontem, de US$ 200 mil para US$ 1 milhão o limite de divisas que os exportadores podem deixar de liquidar no BC.
A liberação total do câmbio é uma das exigências do FMI para fechar um acordo.
Além disso, o BC informou que está elaborando um sistema que eximirá as pequenas e médias empresas da obrigação de liquidar na Argentina suas divisas de exportação. A liberação do câmbio também atende a intenção do governo de não deixar o dólar cair mais ainda. Nas últimas semanas, a moeda americana começou uma rápida queda, caindo para baixo de 3,50 pesos, fato que assustou o governo, que teme que uma baixa cotação do dólar reduziria a margem de competitividade das exportações argentinas.
Ontem, depois do início da aplicação das medidas, o dólar teve uma alta, embora não aquela esperada pelo governo Duhalde. A moeda norte-americana terminou a jornada em 3,32 pesos, ou seja, dois centavos mais cara que na véspera.

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