Argentina pode liberar trigo em janeiro
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sábado, 21 de dezembro de 2013
Marina Guimarães<br>Agência Estado 
Buenos Aires - A Argentina pode liberar os primeiros embarques de trigo para exportação só em janeiro. Tradicionalmente, o país começa a liberar as licenças para venda do cereal ao mercado externo em meados de novembro, quando começa a colheita, ou até a primeira semana de dezembro. Este ano, porém, o governo do país busca garantir o abastecimento interno para que não se repita a situação vivida ao longo de 2013, quando a escassez do grão fez disparar os preços no mercado doméstico e o trigo argentino chegou a ser o mais caro do mundo.
"O ministro nos informou que a liberação começará a partir do fim do ano e com isso entendemos que pode acontecer nos primeiros 10 dias de janeiro, quando a colheita estará praticamente concluída", disse à Agência Estado o presidente da Associação Argentina de Trigo (Argentrigo), Matias Ferreccio. Segundo ele, "é natural que o governo queira reservar o volume do consumo interno antes de permitir a exportação para não provocar desabastecimento".
O subsecretário de Agricultura do Ministério de Agricultura da Argentina, Oscar Solis, confirmou a estratégia. "Depois da experiência deste ano, e a baixa oferta atual, é preciso ver qual será o volume final da colheita e a qualidade do grão para saber exatamente o saldo disponível para exportar", disse ele. Embora não seja o responsável pela parte comercial no governo, nas mãos do ecretário de Comércio, Augusto Costa, Solis argumentou que o país precisa assegurar um volume mínimo de 6,5 milhões de toneladas de trigo de boa qualidade para o consumo interno.
Neste sentido, ele afirmou que é importante primeiro ver o resultado da colheita. "Antes disso, não podemos saber qual é o saldo para exportar", completou. As estimativas oficiais apontavam para uma produção de 8,5 milhões/t. Na quinta-feira, o governo revisou a projeção para cima - 9 milhões/t, o que resultaria em saldo exportável de 2,5 milhões/t. No campo, as notícias são positivas. Os rendimentos observados nas regiões sul, sudeste e centro de Buenos Aires, responsáveis por 60% do trigo total produzido pelo país, são maiores aos esperados. "Estamos só com 30% de área colhida, mas o que vimos até agora é que os rendimentos estão muito bons, com trigo de muito boa qualidade e poderíamos estar chegando aos 10,3 milhões/t, como prevê a Bolsa de Cereais de Buenos Aires", disse Ferreccio.
Neste caso, a Argentina poderia exportar umas 3,5 milhões/t ao Brasil e guardar cerca de 300 mil t para reforçar o estoque interno. No entanto, o Brasil não deve se animar muito com a perspectiva de um pequeno aumento no volume disponível para exportar. Além disso, o plantio da safra 2014 também é uma incógnita. "O governo mantém medidas de controles, cotas de importação, elevados impostos internos, retenções (impostos às exportações), altos custos de inflação de quase 30%. Tudo isso faz com que o produtor esteja sufocado e sem condições de aumentar seus cultivos", disse ao Broadcast o presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, que reúne pequenos e médios agricultores e pecuaristas.
Segundo ele, o Brasil continuará dependendo de outros mercados em 2014. "A Argentina não é um fornecedor confiável e vai continuar assim enquanto não tiver regras claras de jogo", disse. Buzzi teme a perda do mercado brasileiro, já que o Brasil importa cerca de 50% do volume processado por sua indústria e tem na Argentina seu principal fornecedor, graças a isenção da Tarifa Externa Comum (TEC), de 10%.


