Buenos Aires - Depois de um dia e meio de discussões sobre o novo rumo da política econômica do país o presidente Eduardo Duhalde e os governadores das províncias argentinas chegaram a um consenso. No início da noite de ontem, o governo anunciou uma lista de 14 pontos que, mais do que um plano econômico, tinha tons de uma carta de boas intenções. No acordo, o governo não definiu a nova política cambial nem anunciou o novo ministro da Economia, que substituiria o ex-ministro Jorge Remes Lenicov.
Lenicov, que havia renunciado, permanecerá no cargo até sexta-feira, quando Duhalde deve concluir a definição do novo programa econômico. Ao comentar sua saída anunciada anteontem, Lenicov reconheceu que ‘‘é possível’’ que o projeto do governo de passar a um tipo de câmbio variável apenas entre 2,85 e 3,50 pesos por dólar, deixando de lado a livre flutuação, tenha definido a sua decisão.
Um grupo de governadores, diante da impossibilidade de definir um novo nome para ocupar o ministério, pediu que o ministro voltasse para o cargo. Entre os nomes mais cotados para substituí-lo estão os do secretário da Economia da província de Córdoba, Juan Carlos Schiaretti, o economista Carlos Melconián, e o embaixador argentino na União Européia, Roberto Lavagna.
O novo ministro da Economia se encontrará com os múltiplos desafios de um país onde
o desemprego passou dos 18,3% em outubro do ano passado, para uma estimativa de 23% em abril. A perspectiva de diversos analistas é que o desemprego ultrapasse os 30% até o fim deste ano. Em 1991, antes da abertura da economia argentina, o desemprego era de somente 6%. Simultaneamente, enquanto o desemprego aumentou, a pobreza disparou na Argentina. Hoje, 47% da população é pobre.
Além disso, o novo ministro terá que tomar uma posição em relação ao Fundo Monetário Internacional, cujas negociações para o fechamento de um acordo estão em compasso de espera. Existe pressa em resolver esta questão, já que a Argentina terá que pagar US$ 900 milhões ao FMI em maio.
Outra tarefa dura será comandar a liberação gradual do ‘‘corralito’’, denominação do semi-congelamento de depósitos bancários, além de recuperar a confiança dos argentinos no sistema financeiro.
O Banco Central argentino quebrou parcialmente ontem o feriado bancário e cambial, ordenando os pagamentos a aposentados e pensionistas, além dos subsídios sociais. Mesmo assim, novamente ocorreram distúrbios em diversas cidades do país.

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