A Argentina poderá fechar o mercado para a carne suína brasileira por causa do foco de febre aftosa detectado no Mato Grosso do Sul em janeiro. A decisão deverá ser tomada em reunião no dia 13 de maio, segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Suinocultores, Valdomiro Ferreira Júnior, e se confirmada, afetará as exportações brasileiras do setor. Do total de 1,6 milhão de toneladas de carne suína produzida em 98, o País exportou apenas 81 mil t, ou cerca de 5%. Deste total, 48% das vendas foram destinadas à Argentina, 40% a Hong Kong e o restante diluído para outros países.
Há algum tempo a Argentina já vinha alegando que o governo brasileiro subsidiava a exportação de suínos ao vender milho dos estoques oficiais. Com o foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, os argentinos encontraram mais um argumento para evitar a entrada dos suínos brasileiros, que são mais competitivos no mercado. De acordo com Valdomiro Júnior, em razão da desvalorização cambial e das dificuldades impostas pela Argentina depois da constatação do foco de febre aftosa, as exportações no primeiro trimestre deste ano foram reduzidas de 23 mil toneladas para 20 mil toneladas.
Os maiores problemas para o Brasil ampliar as exportações, segundo o presidente do Sinasui, são os de natureza sanitária, como a peste suína e a febre aftosa. Com a desvalorização cambial, o setor voltou a ser competitivo e os índices de produtividade nacional estão próximos aos dos países do Primeiro Mundo. O rebanho nacional de suínos é de 36 milhões de cabeças e o setor gera 733 mil empregos em toda a cadeia produtiva. Atualmente, apenas 30% da produção é consumida ‘‘in natura’’ e 70% sob a forma de embutidos e o setor quer dividir esta participação no mercado interno nos próximos três anos.

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