Argentina pode abrir nova guerra dos porcos contra BR
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terça-feira, 18 de março de 2003
Agência Estado 
Buenos Aires Os produtores argentinos de leitões afirmam que o território argentino está sendo ''invadido'' pelos similares provenientes do Brasil, e exigem medidas que impeçam o que definem como ''o eventual desaparecimento do setor na Argentina''.
Segundo a Associação Argentina de Produtores de Suínos (AAPP), o acelerado crescimento das importações de carne suína congelada ''coloca em risco a continuidade e o crescimento do setor''. O conflito que ameaça despontar entre o Brasil e a Argentina não é novo. Na verdade, seria a ''Terceira Guerra do Porco'', já que desde 1995 os dois países confrontaram-se em duas ocasiões sobre o comércio da carne suína.
O presidente da AAPP, Juan Ucelli, disse que em meados do ano passado, a medida anti-dumping argentina contra os porcos brasileiros foi suspensa. Segundo ele, produtores dos dois lados concordaram em chegar a um acordo de ''cavalheiros''. No entanto, afirma, o lado brasileiro - até agora - teria ignorado os pedidos argentinos para uma reunião onde definam a entrada dos suínos do Brasil.
Ucelli acusou o governo do presidente Eduardo Duhalde de ter ''sacrificado'' o setor de suínos, em troca do fechamento de um acordo automotivo com o Brasil no ano passado. Segundo ele, naquela época somente entravam na Argentina 75 toneladas mensais de carne suína brasileira. De lá para cá, o panorama mudou. A AAPP argumenta que em fevereiro deste ano, as importações aumentaram 40 vezes em volume. No total, entraram na Argentina 3.100 toneladas, com um valor de mais de US$ 3 milhões.
Ucelli afirmou que ao longo dos últimos oito anos a entrada de suínos made in Brazil causou a eliminação de mais de 25 mil postos de trabalho no setor na Argentina. ''Esse número pode ser pouco no Brasil, mas na Argentina, é muito'', disse Ucelli. Além disso, afirma, desapareceram 4 mil granjas.
Analistas consideram que as crises do açúcar e dos suínos, além dos protestos do setor têxtil reclamando das importações made in Brazil, são apenas a ponta do iceberg de uma onda crescente de reivindicações de setores empresariais argentinos. Os empresários estariam aproveitando o fim de governo Duhalde para fazer suas respectivas pressões e, assim, conseguir benefícios.


