Buenos Aires – O ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, se preparava ontem à noite para anunciar a todo o país o tão esperado e tantas vezes adiado plano econômico com o qual o governo pretende remover a Argentina da profunda crise financeira e social na qual está mergulhado. O porta-voz da presidência da República, Eduardo Amadeo, não teve papas na língua para confessar que o país ‘‘está no fundo do poço’’.
Extra-oficialmente, divulgou-se que o plano de Remes Lenicov implicaria na ‘‘pesificação’’ (transformação em pesos) de todas as dívidas contraídas em dólares, na proporção de um peso para um dólar.
Outro ponto do plano seria a flutuação total do dólar, a emissão de pesos (entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de pesos) e a flexibilização gradual do semi-confisco de depósitos bancários, conhecido popularmente pelo nome de ‘‘el corralito’’ (‘‘o curralzinho’’). Segundo Amadeo, com a liberação de parte do dinheiro retido, ‘‘a idéia é que exista mais liquidez na economia’’. No entanto, Amadeo fez um alerta: ‘‘se a economia continuar caindo, devolver os depósitos será, para sempre, uma mera fantasia’’.
Além disso, o Banco Central poderia anunciar um feriado bancário e cambial para hoje e amanhã. Também nos próximos dias o governo encaminharia ao Congresso o Orçamento Nacional deste ano, que prevê um déficit fiscal de US$ 3 bilhões.
A pesificação de todas as dívidas bancárias contraídas em dólares na proporção de um a um é uma das principais reivindicações das centenas de protestos populares – os ‘‘panelaços’’ – que agitaram a Argentina nas últimas semanas.
Na versão anterior do plano de Remes Lenicov, a idéia da equipe econômica era a de somente ‘‘pesificar’’ na proporção de um a um as dívidas hipotecárias inferiores a US$ 100 mil, de US$ 15 mil para créditos para a compra de bens e de US$ 10 mil para empréstimos pessoais. Mas esta posição foi modificada após os protestos populares, que foram reforçados pelas exigências de diversas associações empresariais do país que pediam a pesificação de todas as dívidas.
No entanto, embora as dívidas sejam todas pesificadas na proporção de um a um, o governo determinaria que elas sofreriam um ajuste mensal atrelado ao índice de inflação, além de ter uma taxa de juros ainda a ser determinada pelo Banco Central.
As dívidas não-bancárias, como empréstimos realizados entre particulares, também serão obrigatoriamente pesificadas. Ainda existiam dúvidas sobre que atitude tomar em relação às dívidas que o Estado argentino havia contraído em dólares, por exemplo, com os Fundos de Pensões e bancos argentinos. Uma das hipóteses mais especuladas era a de ‘‘pesificar’’ na relação de US$ 1 para 1,40 peso.

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