Argentina pedirá fim de subsídios às exportações
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sexta-feira, 22 de janeiro de 1999
Ariel Palácios Agência Estado 
Um pacote de medidas para compensar os efeitos da desvalorização do real sobre a economia argentina, com a eliminação de subsídios às exportações brasileiras como ponto principal: este é o motivo da viagem do secretário da Indústria e Comércio da Argentina, Alieto Guadagni, que estará nesta segunda-feira em Brasília para encontrar-se com o chanceler Luiz Felipe Lampréia e o ministro Celso Lafer.
Guadagni pedirá ao governo brasileiro que elimine no prazo de 30 dias todo tipo de subsídio dado às exportações enviadas à Argentina. Segundo o governo argentino, o sistema de subsídios brasileiros às exportações chegou a US$ 1 bilhão no ano passado.
O temor argentino é que os subsídios, somados à desvalorização do real, concretizem o pesadelo dos empresários locais: uma invasão de produtos brasileiros. A lógica da equipe do ministro da Economia, Roque Fernández, é que o comprometimento do Brasil com o FMI em reduzir o gasto público acabará favorecendo a proposta de eliminação desses subsídios.
Além disso, Guadagni levará a proposta de que o próprio governo brasileiro coloque um imposto sobre as exportações do Brasil destinadas à Argentina. A outra é que a Argentina colocaria uma taxa alfandegária extra que iria de 5% a 10% sobre as importações de produtos brasileiros. As restrições às vendas brasileiras não terminaria ali, já que outro ponto seria o estabelecimento de uma cota para a importação de produtos vindos do Brasil.
Guadagni irá acompanhado pelos subsecretários Miguel Cuervo e Félix Pe¤a. Apesar das pressões empresariais, o governo não quer levar as conversações com o Brasil a um ponto de tensão, já que o país ainda é o principal mercado para os produtos argentinos. O governo não tomou medidas protecionistas, apesar dos insistentes pedidos da União Industrial Argentina (UIA). O presidente da UIA, Alberto Álvarez Gaiani, disse que quer que o governo negocie com o Brasil mantendo uma posição dura, mas sem guerra.


