Brasília - O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, pediu ontem ao Brasil novas regras no Mercosul para equilibrar os fluxos de investimento para as indústrias dos membros do bloco. ''A discussão de fundo entre os dois países é sobre investimentos'', explicou Lavagna após ser recebido em Brasília por ministros brasileiros e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lavagna apresentou propostas para equilibrar o destino dos investimentos privados e ajudar a recuperar a indústria da Argentina, abatida por anos de recessão. ''Há uma decisão na Argentina de levar adiante um processo de reindustrialização muito forte'', acrescentou.
O Brasil prometeu estudar as iniciativas, que buscam acabar com agressivas promoções fiscais para atrair investimentos, impor ''mecanismos defensivos'' frente a mudanças macroeconômicas bruscas que afetem o comércio e equilibrar os marcos tributários dos países.
Uma das principais preocupações da Argentina é a anemia de investimentos em seu setor automotivo, que nos últimos meses perdeu fortes investimentos que foram direcionados para o Brasil para atender a demanda de todo o Mercosul, que é formado também por Uruguai e Paraguai.
Segundo dados do governo argentino, levando em conta as últimas decisões de investimento, as multinacionais automotivas escolheram o Brasil para estabelecer 21 novas montadoras, e fixaram na Argentina apenas duas.
Lavagna chegou ao Brasil um dia após o presidente da Argentina, Nestór Kirchner, anunciar que o país não liberará o comércio de automóveis no Mercosul em 2006, como acertado pelos dois países, argumentando que prejudicaria a indústria local. Mas o ministro negou em Brasília que com essa decisão a Argentina vá descumprir o acordo automotivo do Mercosul, já que o livre comércio está contemplado no pacto ''sob certas condições que não foram cumpridas''.
''Não se trata de medidas unilaterais, o Mercosul sempre foi para um desenvolvimento industrial conjunto e no governo brasileiro há compreensão sobre essa questão'', afirmou Lavagna. Ele anunciou também que o regime automotivo poderia ter uma etapa de transição antes de chegar ao livre comércio pleno.
Ao comentar as propostas de Lavagna, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, Luiz Fernando Furlan, prometeu estudar a criação de mecanismos para ajudar a indústria argentina, embora tenha sinalizado que os problemas do país vizinho para atrair fundos estão mais relacionados com a percepção dos investidores. ''Neste momento existe uma grande assimetria entre as posições do Brasil e da Argentina que afetam fortemente o ânimo dos investidores internacionais e também a questão do crédito de financiamento do mercado internacional'', disse Furlan.
Desde janeiro de 2002, a Argentina deixou de pagar aos credores cerca de US$ 100 bilhões.

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