São PauloA economia da Argentina estancou à espera da entrada em vigor do sistema cambial que oficialmente põe fim à paridade de um a um entre o peso e o dólar, em vigor desde abril de 1991. Com o final do feriado cambial, agora marcado para acontecer amanhã (e não hoje como estava previsto), o peso passará a contar com duas cotações: uma oficial, fixada pelo governo em 1,40 peso por dólar, e outra livre, a ser determinada pelo mercado. Hoje, nas ruas de Buenos Aires, doleiros comercializavam a moeda americana entre 1,50 e 1,65 peso para cada dólar.
Lojas de equipamentos eletroeletrônicos na capital argentina exibiam mercadorias sem preços. Ao interessado, eram oferecidas duas opções: pagar em pesos ou em dólares (em espécie), com diferenças de valores entre 30% e 40% -pelo câmbio oficial, a depreciação do peso em respeito ao dólar será de 28,57%.
Aparatos mais sofisticados, como bens de informática, ficaram sujeitos a outro estratagema: foram retirados das vitrines e exigia-se dólares. De acordo com a Came (Coordenadoria de Atividades Mercantis e Empresariais), 80% dos equipamentos eletroeletrônicos e computadores comercializados na Argentina são importados ou com fabricação dependente de insumos importados -cotados na moeda americana. Outros artefatos, como calçados importados, apresentavam uma cotação em peso e outra em dólares.
AgronegóciosProdutores agropecuários (bens exportáveis) mantêm a postura adotada antes de o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, anunciar o pacote que previa a criação de dois câmbios na Argentina: cancelaram a distribuição de produtos à espera de nova cotação para o dólar.
No caso do trigo, criou-se um mercado paralelo, coordenado por distribuidores que possuem algum estoque do produto. Desaguou no mesmo ponto: os comerciantes repassaram aos consumidores os aumentos da matéria-prima. Mas em estabelecimentos do país, começa a faltar além do trigo, produtos básicos como o açúcar -produzido com subsídios governamentais. O próprio presidente Eduardo Duhalde ameaçou importar açúcar brasileiro se não for normalizado o reabastecimento ou ocorra disparada nos preços.
No caso do mercado imobiliário, a ‘‘pesificação’’ dos aluguéis está travada. Nem inquilinos nem locadores querem negociar os novos preços em pesos (dos contratos em dólar) antes de saberem a reação do valor do dólar na retomada dos negócios.
As mudanças no câmbio afetaram fortemente a distribuição de remédios. Distribuidores deixaram de entregar as mercadorias alegando que vários componentes e produtos são importados.

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