O ministro da Economia, Domingo Cavallo, anunciou ontem à noite que a Argentina pagou os cerca de US$ 710 milhões em Letras do Tesouro (Letes) que venciam nesta sexta-feira, uma espécie de ''Dia D'' para o país. Até 19h30, não havia notícia de que o governo argentino havia pago a dívida. Sem recursos próprios ou do FMI (Fundo Monetário Internacional) para fazer o pagamento, Miguel Kiguel vice-ministro de Finanças, que assessora Domingo Cavallo em lugar do demissionário Daniel Marx (leia ao lado) afirmava, durante o dia, que os recursos viriam dos fundos de pensão do país.

Ontem foi só o primeiro dia de uma maratona de vencimentos de débitos que se estende até o dia 28. A grande dúvida é se a Argentina terá condições de honrar seus compromissos sem o dinheiro do Fundo Monetário Internacional. O FMI negou o desembolso do empréstimo de dezembro, que seria de US$ 1,26 bilhão, segundo os termos do acordo firmado em agosto a Argentina não cumpriu as metas de corte de despesa pública, e o dinheiro foi retido.
Ontem, o governo argentino também deveria pagar US$ 180 milhões de débitos com o próprio FMI e o Banco Mundial. Segundo o demissionário Marx, o governo pagaria as dívidas com empréstimos que tomou por decreto. Isto é, Domingo Cavallo, o ministro da Economia, obrigou fundos de pensão a emprestarem dinheiro ao governo por um prazo de 90 ou 120 dias, em troca de novos títulos públicos (certificados de dívida). A manobra daria ao governo um poder de fogo de aproximadamente US$ 2,3 bilhões.
Além de poder utilizar os recursos levantados com os depósitos dos fundos de pensão, analistas acreditavam que o governo poderia tentar convencer os credores a trocar os títulos que venciam por outros de prazo mais longo.
Os fundos de pensão ameaçaram entrar na Justiça contra o empréstimo por decreto, mas não levaram a cabo a ameaça. ''O governo não deixaria de pagar esses vencimentos em um momento que trabalha para reestruturar sua dívida externa. Será mais difícil nas próximas semanas, quando os vencimentos de títulos no mercado internacional vão se acumular'', diz o economista da UBA, Rubén Casares.
''O governo vai cumprir seus vencimentos, está tudo acertado. Como é normal, no fim da jornada os fundos serão depositados'', disse Marx. Na próxima semana, o governo terá de enfrentar o vencimento de US$ 87 milhões dos títulos Global 2008, 2018 e 2031. Se não pagar, o mercado internacional vai considerar que o governo está em ''default'' (calote).

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