Argentina nega desconto para troca de título
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de novembro de 2001
Agência Folha<br>De Buenos Aires 
A fim de tentar acalmar o mercado, o vice-ministro da Economia da Argentina, Daniel Marx, teve de negar os rumores de que a reestruturação da dívida externa prevê um desconto (desvalorização) no valor de face dos títulos. E o risco-país, depois de oito dias, cedeu um pouco, mas continua no patamar dos 3.000 pontos.
Um dos temores dos investidores internacionais que não sabem ao certo como será a proposta de troca dos títulos da dívida argentina é que, além do corte de juros anunciado pelo governo, os papéis também tenham um desconto sobre seu valor.
O início dos negócios no mercado internacional ontem foi novamente tenso, com a repetida liquidação dos papéis argentinos. Quando o risco-país alcançou os 3.160 pontos, Marx fez o pronunciamento. O risco-país fechou em 3.026 pontos. Apesar do recuo, o índice medido pelo banco JP Morgan ainda está em um nível muito elevado, o que mostra a crescente expectativa do mercado de que a Argentina não conseguirá escapar do ''default'' (calote).
Enquanto o governo espera o resultado da aceitação da operação no mercado local, terá de iniciar outra batalha: a aprovação do Orçamento de 2002. No próximo dia 10, o Partido Justicialista (o principal de oposição) passará a deter a maioria nas duas Casas do Congresso, o que deve dificultar os planos do governo De la Rúa.
O Orçamento prevê fortes cortes para o governo conseguir se enquadrar na política de déficit zero (gastar apenas o que arrecada), assumida com o FMI e condição para os desembolsos previstos para dezembro e março (US$ 1,3 bilhão e US$ 3 bilhões).
O governo quer que os gastos públicos em 2002 fiquem em US$ 42,1 bilhões. Neste ano, estão projetados em US$ 49,6 bilhões.
A luta da economia argentina para sobreviver à grave crise que se arrasta há mais de 40 meses continua difícil. A sangria dos depósitos bancários continua. No dia 16, os poupadores tiraram mais US$ 298 milhões das contas bancárias. No mês, a desconfiança dos argentinos na recuperação fez com que os depósitos perdessem quase US$ 2 bilhões.
As reservas internacionais do sistema financeiro caíram, no último dia 16, para US$ 19,4 bilhões. No fim de outubro, estavam em US$ 21,3 bilhões.


