O dólar comercial fechou em alta ontem com a piora de humor do mercado por causa das declarações do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anteontem à noite, de que eventual ajuda financeira à Argentina está condicionada ao cumprimento da lei de déficit zero. A reação negativa dos investidores à fala de Bush expressou-se através da alta do dólar internamente e do risco país da Argentina e do Brasil e também da queda dos títulos da dívida soberana dos dois países.
No mercado brasileiro, o dólar comercial fechou com ganho de 0,68%, vendido a R$ 2,5160, no preço mais alto desde 16 de julho. Neste mês, a moeda norte-americana acumula alta de 1,86% frente ao real e, em 2001, +28,96%.
Os profissionais das mesas de operação de câmbio interpretaram a fala de Bush como uma mudança de postura do governo norte-americano em relação à situação argentina. Além disso, eles entendem que foi um sinal de que os Estados Unidos só devem liberar um novo socorro financeiro à Argentina se, simultaneamente, ocorrer a ruptura no regime de currency board, com eventual dolarização e/ou reestruturação da dívida do país, que poderia envolver o perdão de uma parte dela ou o corte da rentabilidade paga aos credores.
A demanda por dólar no mercado brasileiro ontem continuou concentrada entre tesourarias de bancos. ''Não houve procura forte de moeda para hedge porque a maioria dos investidores está comprada e não deve desarmar posições enquanto houver indefinição sobre e ventual suporte do FMI à Argentina. No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 0,64%, entre a mínima de R$ 2,505 (+0,24%) e a máxima de R$ 2,5210 (+0,88%). O giro financeiro no D+2 pronto somou cerca de US$ 1,147 bilhão, ante US$ 968 milhões ontem.
Na BM&F, os juros futuros subiram, também por causa do desânimo do mercado. O contrato de DI futuro para 1º de janeiro, na liderança em termos de liquidez, projetou, ao final da terça-feira, juros de 23,86% ao ano, ante 23,30% de anteontem. O contrato de DI futuro para 1º de outubro, em segundo lugar, encerrou o dia com projeção de juros de 21,38%, ante 20,98% do fechamento anterior.
A projeção de juros do DI setembro subiu para 19,83%, ante 19,73% de anteontem. O DI novembro fechou com projeção de 22,54%, ante 22,04% de segunda-feira. O DI a termo de um ano fechou o dia com projeção de 24,72%, ante 24,14% da véspera.
Na véspera do exercício de opções, a Bovespa novamente teve um comportamento apático. O índice da carteira teórica paulista subiu 0,42%, com volume financeiro de R$ 432 milhões, a despeito da forte queda de 3,12% do índice Merval da Bolsa de Buenos Aires . Os mercados em Nova York também penderam para o negativo. A Nasdaq caiu 0,89% e o Dow Jones recuou 0,22%.
(Silvana Rocha, Marisa Castellani e Márcia Pinheiro)

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