Buenos Aires O governo argentino começou ontem a abandonar as políticas de controle da taxa de câmbio. Ontem, o Banco Central do país parou de vender dólares no varejo e, mesmo sem a participação do banco, a cotação da moeda norte-americana caiu 1,7%, a 3,43 pesos.
Com o fim das operações de compra e venda de dólares no varejo, o governo argentino elimina um dos controles que exercia para controlar a taxa de câmbio. Até terça-feira, havia duas taxas de câmbio na Argentina: a livre, que era determinada pela oferta e procura de dólares no mercado; e a oficial, que era a taxa à qual o BC vendia dólares no varejo.
O governo havia adotado a política de vender, a uma taxa determinada, pequenas quantidades de dólares por meio dos bancos e casas de câmbio. Assim, o Banco Central podia controlar o preço pelo qual a moeda era vendida aos pequenos investidores.
A política havia sido adotada em março, quando a população argentina que possuía pesos lotava as casas de câmbio e bancos a procura de dólares. Os argentinos temiam a volta da inflação e procuravam defender seu patrimônio comprando a moeda.
Na época, a política de permitir a venda de pequenos volumes a preços determinados ajudou a conter a desvalorização do peso. Os analistas argentinos também avaliam que a política tinha um efeito ''psicológico'' sobre o mercado de câmbio. Apesar de o volume total de transações no varejo ser muito pequeno, é a cotação nesse mercado que é publicada em todas as casas de câmbio e jornais argentinos e, dessa maneira, a cotação oficial acabava influenciando a cotação livre.
FMI á O fim da taxa de câmbio oficial e o abandono de outros controles de câmbio que deveriam ser anunciado na noite de ontem atendem a uma das exigências do FMI (Fundo Monetário Internacional) para que o organismo feche um acordo com a Argentina.
Os técnicos do Fundo pedem, desde que começaram a negociar com a Argentina há mais de dez meses, que o governo abandone os controles de câmbio e adote uma política de câmbio flutuante, como o adotado pelo Brasil.

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