Indicações da possível ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) à Argentina monopolizam as atenções de investidores e analistas neste início de semana. Segundo o estrategista para renda variável do J.P.Morgan, Pedro Martins, o mercado começa a considerar como probabilidade crescente o socorro financeiro de fundos privados e do FMI ao país vizinho.
''Se vier alguma sinalização positiva, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) poderá melhorar no curto prazo. Caso contrário, poderá sofrer porque será uma situação-limite para a Argentina'', afirma Alexandre Póvoa, gestor de renda variável da ABN Amro Asset Management.
Para ele, além do montante e da data em que seria enviado o empréstimo, interessa saber se ''virá alguma ajuda que dê condições de crescimento à Argentina. Sem isso, o mercado melhora uma ou duas semanas e depois cai porque será um adiamento, não uma solução do problema''.
Uma corrente de analistas afirma que, para desânimo dos grafistas (profissionais que baseiam suas projeções em gráficos de cotações), a Bolsa não deve sair muito da ''linha reta'' em que está, enquanto a situação não se definir. ''Pode ser que volte para 14.500 pontos ou vá a 13.500 pontos, mas não acredito em Bolsa a 12 mil pontos porque o espaço para perda é pequeno'', diz Fábio Alperowitch, diretor da Fama Investimentos.
O desaquecimento da economia norte-americana e eventuais declarações do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, também preocupam o mercado. Itamar desistiu de concorrer à presidência do PMDB e, agora, especula-se o que fará. Nos EUA, saem o índice de vendas ao varejo em julho, amanhã; de produção industrial no mesmo mês, na quarta-feira; e na sexta, a prévia do índice de confiança do consumidor, da Universidade de Michigan. ''Qualquer um desses dados é importante, pois reforça ou enfraquece a idéia preconizada por uma corrente de analistas de que o terceiro trimestre é de transição e que o país voltará a crescer a partir do quarto trimestre'', afirma Martins.

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