Argentina mantém Cavallo contra crise
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domingo, 07 de outubro de 2001
Ariel Palacios<br> Agência Estado 
''O único ministro confirmado é Domingo Cavallo''. Com estas palavras, o chefe do gabinete de ministros, Chrysytian Colombo, explicou que o polêmico ministro da Economia é o único de todo o governo que possui seu lugar garantido após as eleições parlamentares do próximo domingo, dia 14. Segundo diversas pesquisas, o governo sofreria uma imponente derrota nestas eleições, fato que provocaria a necessidade de uma ampla reforma ministerial.
Segundo Colombo, De la Rúa escolheria pessoas para formar uma equipe com a qual possa cumprir uma série de objetivos na política econômica.
Desta forma, o governo tenta acalmar os mercados sobre hipotéticas grandes guinadas na política econômica. Ontem, o próprio De la Rúa contra-atacou os rumores que sacudiram o país na semana passada, e que oscilavam entre que a Argentina desvalorizaria sua moeda ou que dolarizaria sua economia. ''Já é hora que acabem essas teorias absurdas'', disse.
A desvalorização também foi objeto de preocupações para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Um documento confidencial do Fundo, divulgado pelo jornal ''Clarín'', indica que o organismo internacional exige a continuidade da conversibilidade econômica, que estabeleceu a paridade um a um entre o peso e o dólar, para evitar ''a quebra da economia''.
Segundo o documento, o FMI consideraria a conversibilidade ''fundamental'' para a estabilidade financeira e de preços. Além disso, o FMI admite que ''se a economia continuar debilitada, as reduções de salários, aposentadorias e das remessas para as províncias serão difíceis de serem mantidas dentro do atual clima político e social''.
Em Buenos Aires, o economista americano Jeffrey Sachs, diretor do Centro de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, declarou que o governo não deve prestar atenção nos bancos de investimento para definir sua estratégia econômica, já que ''o trabalho destes bancos é o de continuar cobrando ao país uma taxa de juros de 19%''.
Brasil está melhor O economista sustentou que o Brasil está em melhores condições para que a Argentina se recupere ''porque possui bases para uma decolagem das exportações e não está na mesma armadilha da economia da Argentina''.O presidente De la Rúa confirmou que o governo está elaborando um pacote de medidas econômicas''. Entre as medidas estariam uma troca dos bônus de dívida das províncias para reduzir os juros que são pagos.
Além disso, o governo federal emitiria um bônus, o Lecop (Letras de cancelamento de obrigações provinciais), que serviria para substituir os diversos bônus que as provinciais emitem para pagar os salários dos funcionários públicos e os fornecedores do Estado.
O pacote englobaria um drástico corte nas verbas dos ministérios, que teriam que reduzir seus gastos em mais 30%, além dos cortes já realizados recentemente. O governo também estuda a possibilidade de realizar uma redução de alguns tributos, como o Imposto de Valor Agregado (IVA), como forma de reativar o consumo.


