Bueno Aires - O porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), Thomas Dawson, disse ontem o que era esperado e temido em Buenos Aires e entre os integrantes do governo do presidente Eduardo Duhalde: ''É muito difícil fechar um acordo com a Argentina''. O motivo desta dificuldade, segundo Dawson, é a ''falta de consenso político'' dentro deste país para prosseguir na tentativa de fechar um acordo com o FMI.
Dawson referia-se ao imbroglio político que assola a Argentina. Por um lado, o governo Duhalde não consegue apoio no Congresso Nacional para implementar as reformas exigidas pelo FMI. Por outro, não tem sucesso nas pressões aos governos das províncias, de forma que implementem um drástico ajuste de 60% em seus déficits fiscais.
Outro fator que preocupa o Fundo é a tumultuada relação de Duhalde com a Corte Suprema de Justiça. A Corte, ameaçada com um processo no Congresso Nacional que poderia causar a remoção de todos seus integrantes, contra-ataca o governo Duhalde com a suspensão do corte de 13% nos salários dos funcionários públicos e aposentadorias.
Em Washington, o porta-voz explicou que o país, embora tenha feito ''alguns progressos'', ainda precisava realizar avanços em uma série de reformas, que ''abarcam um amplo leque de aspectos''. Segundo Dawson, a Argentina ainda precisa resolver ''alguns assuntos principais''. Por este motivo, sustentou, ainda não foi possível elaborar um calendário das negociações.
As reformas exigidas pelo FMI são a reestruturação do sistema financeiro, a restrição ao funcionamente dos bancos públicos, a implementação de um ajuste fiscal nas províncias, o fim das ''moedas paralelas'' provinciais, além de uma solução para o ''corralito'' (semi-congelamento de depósitos bancários). Dawson também sustentou que Duhalde precisa estabilizar a economia.
O porta-voz também explicou que, na semana que vem, uma missão técnica do Fundo, comandada pelo diretor do FMI para Assuntos Monetários, Stefan Ingves, irá a Buenos Aires para discutir o programa monetário, ''onde continuamos achando que existe a necessidade de desenvolver uma âncora monetária estável''.
Em Buenos Aires, o presidente Duhalde tentou relativizar as declarações de Dawson, afirmando que era apenas ''um porta voz''. O presidente afirmou que ''todas as semanas dizem que sim e dizem que não'' em relação à uma eventual ajuda do FMI.
A partir deste novo obstáculo do FMI, a expectativa em Buenos Aires é que o organismo financeiro pelo menos conceda a rolagem da dívida - por um ano - que o país possui com o Fundo. Só em setembro, o governo teria que desembolsar US$ 2,7 bilhões.

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