Porto Alegre - A crise nas relações comerciais do Brasil com a Argentina vai ganhar um novo capítulo no dia 1º de agosto se o governo de Néstor Kirchner mantiver a resolução 436, emitida no dia 5, e limitar a passagem de caminhões brasileiros e chilenos a apenas um corredor. As reações já começaram. O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), vai a Brasília amanhã para pedir ao chanceler Celso Amorim que pressione a Argentina a rever sua posição. Entre os argumentos, vai lembrar que 50 mil caminhões que passam anualmente pelo porto seco de Uruguaiana terão de rodar 600 quilômetros a mais a cada viagem, com prejuízos para exportadores, importadores, transportadores e consumidores.
A restrição argentina foi justificada como uma medida para conter os custos com manutenção da infra-estrutura rodoviária no país. Em vez de trafegarem livremente, os caminhões brasileiros e chilenos só poderão usar um corredor que vai de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, a Paso de Jama, na província de Jujuy, que faz fronteira com Antofagasta, no Chile. No trajeto, os caminhões terão de enfrentar trechos de estrada de cascalho no norte da Argentina em vez das modernas rodovias da rota por Mendoza.
Além de Uruguaiana, os transportadores usam saídas por Foz do Iguaçu, Porto Xavier e São Borja e terão de abandonar os trechos mais adequados à entrega das mercadorias. Com as dificuldades que impõe, a resolução deve inibir o comércio Brasil-Chile, que movimentou US$ 2,7 bilhões em 2003. Para Rigotto, a decisão ''depõe contra o Mercosul''.
A restrição também provocou uma reação indignada do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Renan Proença. ''O que a Argentina está impondo ao transporte rodoviário entre o Brasil e o Chile não é barreira, mas trincheira'', reclamou. Proença destacou que no comércio com o Brasil a Argentina vem mantendo uma média histórica favorável de US$ 7 bilhões por ano e considerou injustificáveis as recentes medidas tomadas pelo governo argentino, entre as quais a polêmica restrição à entrada de eletrodomésticos.

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