Argentina limita saque bancário a US$ 1 mil
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>De Buenos Aires 
O ministro da Economia, Domingo Cavallo, anunciou na noite de sábado o semi-congelamento dos depósitos e a dolarização dos prazos fixos. A bateria de medidas implementadas por decreto pelo presidente Fernando de la Rúa pretende proteger o sistema financeiro de uma intensificação da fuga de depósitos. Só na última sexta-feira a fuga levou para fora dos bancos locais quase US$ 1 bilhão. Este é o segundo confisco bancário que os argentinos sofrem em menos de onze anos.
As medidas também implicariam na proteção da conversibilidade econômica, base do rígido sistema monetário argentino, que estabeleceu há dez anos que um peso possui valor igual a um dólar. A decisão final desta drástica decisão foi tomada na sexta-feira à noite, depois da pior jornada financeira dos últimos anos.
As medidas pretendem implementar uma semi-dolarização da economia, ficando assim, afastada a desvalorização do peso, rechaçada pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo. Por este motivo, o governo decidiu congelar os depósitos bancários.
Neste caso, os argentinos somente poderão retirar US$ 1.000 por mês em espécie, embora a retirada esteja restrita a uma ínfima quantia de US$ 250 semanal. O resto do dinheiro terá que ser movimentado através de cheques, cartões de crédito ou cartões de débito (cartões eletrônicos), modalidades às quais os argentinos não estão amplamente adaptados, já que prevalece o uso do dinheiro em espécie.
Todo envio de dinheiro ao exterior terá que ter uma rígida autorização do Banco Central, a não ser que a quantia seja inferior a US$ 1.000. Desta forma, o governo estaria retendo a maior parte do dinheiro em espécie dentro do sistema financeiro, que passaria a ser usado em grande parte de forma virtual. Isto evitaria que hoje os bancos entrem em colapso e tenham que fechar suas portas temporariamente por não ter dinheiro para entregar a seus clientes.
Em novembro os bancos perderam US$ 3,5 bilhões (US$ 14 bilhões desde fevereiro), o que lhes deixaria daqui para a frente somente uma estreita faixa entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões para enfrentar um agravamento da corrida. Também seriam tomadas medidas para dificultar a saída de capitais do país.
A medida do congelamento dos depósitos que o decreto presidencial denomina com o eufemismo de ''imobilização'' também tem a intenção de obrigar que grande parte da sociedade argentina, que não está bancarizada, comece urgentemente a utilizar o sistema financeiro para a imensa maioria de suas operações.
''É só uma restrição ao uso de cash'', disse o chefe do gabinete de ministros, Chrystian Colombo. Como isto será implementado era uma das perguntas que mais circularam em Buenos Aires, já que aproximadamente 40% dos trabalhadores argentinos não possuem carteira assinada. Colombo também afirmou que os salários e os impostos continuarão sendo pagos em pesos.
Segundo Colombo, as medidas teriam caráter transitório, e seriam aplicadas somente enquanto a operação de reestruturação da dívida com os credores internacionais não for concluída. Calcula-se que a operação poderia estar pronta daqui a 90 ou 120 dias.


