Argentina libera o trigo; preço abaixo do esperado
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2002
Vladimir Goitia Agência Estado 
Buenos Aires - Um mês depois de terem sido interrompidas, por causa da confusão cambial e as incertezas em relação à área de comércio exterior, a Argentina retomou as exportações de trigo para seus principais mercados, entre eles o Brasil.
Grandes empresas como a Cargill e a Dreyfus começaram a fixar preço para esse produto, em pesos e em dólares, como exigem agora as novas regras depois do fim da paridade entre o peso e o dólar. Na quarta-feira, os exportadores fixaram preços a US$ 96,00 ou 135 pesos, bem abaixo dos US$ 106 por tonelada no mercado externo, informa ontem o jornal Clarín. Dois elementos foram fundamentais para destravar as exportações de grãos, diz o jornal.
Primeiro, o governo teria prometido medidas para reativar os mecanismos de pré-financiamento das exportações e, segundo, a ameaça do Brasil de reduzir a Tarifa Externa Comum (TEC) para o trigo, beneficiando, com isso, as importações de trigo canadense e norte-americano.
Atualmente a TEC para o trigo no Mercosul é de 11,5%. Essas pressões, segundo o jornal, teriam servido para a retomada das exportações por parte dos traders locais. Desde o dia 20 de dezembro, quando renunciou o presidente Fernando de la Rúa, os exportadores haviam deixado de comprar trigo dos produtores argentinos.
As incertezas cambiais geradas nesse período, assim como a falta de devolução do IVA e a renegociação de uma dívida que soma US$ 800 milhões também foram os motivos que levaram a interromper a venda externa de grãos. De acordo com o Clarín, a falte de operações teria complicado a relação da Argentina com seus principais compradores de grãos, principalmente com o Brasil, que importa cerca de 7 milhões de toneladas de trigo argentino por ano.
O argumento que vinha sendo utilizado pelos importadores brasileiro era a falta de trigo, o que abria precedentes para importar trigo do Canadá e dos EUA, eliminando riscos de desabastecimento. Os representantes do setor na Argentina informaram que os compromissos de venda ao Brasil somam 1,9 milhão de toneladas nos primeiros meses do ano, volume similar à média histórica, e que os restantes 5,3 milhões de toneladas serão enviados no de decorrer do ano.


