A agência de qualificação Fitch declarou ontem que a Argentina está em default (calote). O motivo para a redução da nota argentina de ''CC'' para ''C'' é a polêmica e improvisada operação de reestruturação da dívida pública, sobre a qual anteontem o ministro da Economia, Domingo Cavallo, anunciou suas linhas gerais.
Cavallo explicou que as taxas de juros dos atuais bônus argentinos passariam de 11%, em média, para menos de 7%. Além disso, anunciou que durante três anos a Argentina não realizaria o pagamento do capital da dívida. O ministro afirma que a operação que terá como primeiro alvo os credores internos é ''voluntária'', embora muitos analistas discordem deste adjetivo.
Segundo a Fitch, ''tendo como base a informação atualmente disponível, a operação de reestruturação da dívida, direcionada aos investidores argentinos, constitui um intercâmbio que castiga os investidores, e por isso equivale a um default ou a suspensão de pagamentos''. Na sexta-feira passada, a Fitch já havia reduzido a nota argentina de ''CCC'' para ''CC''.
Outra agência, a Moody's, anunciou que por enquanto não reduziria a nota da Argentina. No entanto, declarou que esta operação de reestruturação tem aparência de ser um calote. De forma quase simultânea a estes anúncios, o governo do presidente Fernando De la Rúa recebia uma boa notícia por parte dos banqueiros argentinos, que declararam seu apoio ao pacote de medidas econômicas.
De la Rúa reuniu-se na Casa Rosada, a sede do governo, com as principais lideranças da Associação de Bancos da Argentina (ABA). Sobre a operação de reestruturação da dívida, o presidente do Bank Boston, Manuel Sacerdote, afirmou que ''estamos trabalhando para que isto vá para a frente''. Sacerdote disse que a operação havia sido apresentada como ''voluntária'' e que está sendo avaliada pelos banqueiros a partir desta característica. Segundo o banqueiro, ele e seus colegas darão uma resposta ''em breve'' sobre a operação.
Essas declarações moderadas foram suficientes para que o presidente De la Rúa e o ministro Cavallo comemorassem. Durante a reunião de gabinete de ministros, Cavallo sustentou que a reestruturação ''é um sucesso''. Na quinta-feira, o ministro viajará aos Estados Unidos a fim de buscar apoio internacional para a operação de reestruturação da dívida.
No mesmo dia, De la Rúa partirá para Nova York, onde no domingo se reunirá com o presidente norte-americano, George Bush, a quem pedirá respaldo para a reestruturação com os credores externos. O ministro Cavallo calcula implementar esta segunda etapa da operação daqui a dois ou três meses. Antes da partida, De la Rúa tentará fechar até hoje o acordo financeiro com os governadores das províncias argentinas.

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