Argentina já admite ficar sem dinheiro novo do Fundo
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quarta-feira, 12 de junho de 2002
Agência Folha 
Buenos Aires O governo argentino já admite que o Fundo Monetário Internacional (FMI) não deve liberar dinheiro novo para o país, mesmo após o fechamento de um acordo. A informação foi divulgada pelo deputado José Díaz Bancalari, que participou de audiência com o ministro Roberto Lavagna (Economia) ontem na Câmara.
O ministro decidiu reunir o bloco do Partido Justicialista (peronista, do presidente Eduardo Duhalde) porque está preocupado com a união da base governista no Congresso.
Duhalde planeja vetar hoje - dia da chegada da missão do Fundo - um artigo do projeto que elimina a Lei de Subversão Econômica aprovado no Congresso. Esse artigo transfere a punição por negligência e imprudência no gerenciamento de empresas e bancos da lei para o Código Penal e era rechaçado pelo FMI.
Por isso, o governo quis explicar à base governista que desse veto depende o acordo com o Fundo e, assim, evitar novos rachas que dificultariam a aprovação de projetos no Congresso no futuro. Duhalde também deve se reunir com os senadores peronistas em busca de apoio ao veto.
Durante a audiência na Câmara, Lavagna teria dito, segundo o deputado Bancalari, que o acordo com o FMI consiste basicamente no adiamento de pagamentos da dívida do país com a instituição que vencem em 2002 e 2003 e somariam US$ 10 bilhões. O acordo, que, segundo o governo, sairia até meados de julho, também possibilitaria a liberação de recursos novos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Bird (Banco Mundial).
O ministro também teria garantido aos deputados que não haverá reajuste de salários nem de tarifas públicas antes do fechamento do acordo com o FMI. Além disso, disse que o governo não pretende regulamentar um projeto que dá imunidade aos diretores do Banco Central como reivindica o presidente da instituição, Mario Blejer.
Por último, Lavagna também teria dito a deputados ouvidos pelo site do jornal Clarín que o governo pretende acabar com a concessão de empréstimos aos bancos por meio da linha de redescontos do BC, mesmo que isso signifique a quebra de instituições financeiras.


