A equipe do ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, está analisando incluir no pacote de medidas econômicas a possibilidade de que os argentinos possam pagar seus impostos em dólares. Além disso, especula-se na possibilidade de permitir que os aposentados possam escolher entre receber a aposentadoria tanto na moeda americana como no peso, a moeda nacional.
O pacote - o oitavo do governo De la Rúa - poderia ser anunciado a partir do retorno do presidente Fernando De la Rúa, que volta hoje de uma viagem à Espanha. O anúncio ocorreria até sexta-feira.
Fontes dos mercados indicaram à Agência Estado que o pagamento de impostos em dólares estimularia os argentinos a usar mais os dólares no dia a dia. Além disso, não descartam que se esta medida for implementada poderia também abranger o pagamento de serviços públicos.
Desde a criação da conversibilidade econômica, que em 1991 estabeleceu a paridade um a um entre o peso e o dólar, os argentinos utilizam os pesos nos gastos do dia a dia, enquanto que deixam os dólares depositados nos bancos ou escondidos debaixo do colchão.
''É uma forma de preparar a população para uma eventual dolarização'', disseram fontes do mercado sobre esta eventual medida. ''A estratégia do governo seria acostumar os argentinos ao uso diário da moeda americana, para deixá-los meio prontos para o caso de que a desvalorização apareça no horizonte. Mas, antes que ela chegue, o governo dolarizaria a economia.''
Mesmo antes de qualquer implementação da medida, este anúncio consistiria em um recado aos mercados de que a intenção do governo é a de manter a paridade econômica, e que antes de desvalorizar, prefeririam dolarizar. Em Buenos Aires, ao contrário de São Paulo, não circularam rumores sobre uma imediata dolarização.
Ontem à tarde, os mercados na capital argentina comemoravam a possibilidade cada vez mais próxima de que o governo e os Fundos de Pensões haviam conseguido um acordo sobre a operação de troca de bônus. Esta troca envolveria US$ 3 bilhões, e incluiria, além de um prazo maior de vencimentos, uma redução da taxa de juros. Além disso, o governo continuava negociando com um grupo de bancos o refinanciamento da dívida das províncias. A operação envolveria US$ 8 bilhões, e implicaria na redução da taxa de juros dos atuais 25% para ao redor de 8%.
Cavallo ''Até este verão'' é uma das respostas mais ouvidas à pergunta ''até quando durará em seu cargo o ministro da Economia, Domingo Cavallo?''. O polêmico ministro teria um prazo de três meses para que suas medidas econômicas comecem a ter resultados. Se isso não acontecer, o presidente Fernando de la Rúa procuraria um substituto para ele.

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