Argentina inicia troca de depósitos por bônus a prazo
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terça-feira, 18 de junho de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - Sem entusiasmo por parte da população, começou ontem o prazo para os correntistas com depósitos presos pelo corralito (semicongelamento de depósitos bancários) trocarem por bônus fornecidos pelo Estado, com prazos que oscilam entre três e dez anos. A troca voluntária foi a forma que o governo do presidente Eduardo Duhalde encontrou para tentar reduzir os conflitos causados pelo corralito. Diversos analistas consideram que a medida não entusiasmará mais do que 30% dos correntistas. Os bancos admitiram que no primeiro dia da troca a procura por informações foi mínima.
Com a troca, o governo pretende deter a sangria de depósitos que os bancos estavam sofrendo por causa dos milhares de processos na Justiça contra o confisco. Estes processos causaram a saída de 3,1 bilhões de pesos nos primeiros cinco meses deste ano. Por este motivo, os bancos exigiram a criação de um plano que contivesse a drenagem de depósitos.
Os bancos afirmavam que corriam risco de ficar sem liquidez, e que poderia ocorrer uma falência generalizada de instituições financeiras. A aceitação dos bônus também condicionará a emissão monetária do governo, já que terá que emitir um volume maior ou menor, dependendo da quantidade de redescontos que for necessária para atender os bancos atingidos pela saída de depósitos.
O governo oferece três bônus em troca dos depósitos. Um deles, em pesos, possui prazo de cinco anos. Outro bônus, em dólares, possui prazo de dez anos. Além destes dois, existe outro bônus, destinado exclusivamente para casos especiais, como pessoas acima de 75 anos, pessoas com graves doenças ou aqueles que tiverem contas congeladas com dinheiro de indenizações trabalhistas.
No total, existem 60 bilhões de pesos retidos dentro do corralito, dos quais 20 bilhões são em contas correntes, e 32 bilhões em prazos fixos.


