Desde ontem, o argentino que comprar além de certo limite de mercadorias no Brasil tem de pagar uma tarifa cuja alíquota é de 50% em relação ao excedente. Os valores máximos são de US$ 100 mensais em gêneros alimentícios e roupas, e de US$ 150 anuais para eletrodomésticos e móveis. Antes, a aquisição de gêneros alimentícios na fronteira era ilimitada para argentinos e brasileiros.
Para evitar a utilização de alternativas que burlem as restrições oficiais, o Ministério da Economia argentino determinou, também, o limite de compras em quatro pessoas por família. Dessa forma, a possibilidade de se espalhar o valor de forma indefinida, utilizando-se de parentes, torna-se restrito e inibe que os argentinos driblem a determinação.
No município gaúcho de Uruguaiana (divisa com o argentino Paso de los Libres), a 634 km de Porto Alegre, já se contabiliza a duplicação do movimento na rede hoteleira local e um crescimento de 70% nas vendas do comércio. Em relação a Paso de los Libres e outras cidades argentinas e uruguaias que fazem fronteira com o Brasil, há uma inversão: a maioria das lojas acusa a diminuição de cerca de 70% no movimento de brasileiros. A loja Neutral, de Chuí (520 km de Porto Alegre), tida como uma das principais casas comerciais da fronteira entre Brasil e Uruguai, o dólar permaneceu valendo R$ 2,10 durante o fim de semana. Esse preço, que parece estar consolidado, começou a ser cobrado na metade da semana passada e a tendência é de que fosse mantido.
Outras lojas, em Libres e Rivera (Uruguai), também cotam, desde o fim de semana, o dólar em mais de R$ 2. Enquanto os brasileiros aceitam bem o dólar e o peso argentino (os dois têm o mesmo valor, devido à ‘‘conversibilidade’’), o real tem sido evitado pelas lojas argentinas e uruguaias. O argentino paga metade do preço de uma refeição no Brasil em relação ao que está pagando, poucos metros adiante, no outro lado da fronteira.
A Associação Uruguaianense de Micro e Pequenas Empresas está organizando uma série de manifestações como protesto contra as medidas argentinas. O consulado brasileiro em Libres enviou, antes mesmo de serem adotadas as medidas, correspondências ao Itamaraty e à embaixada brasileira em Buenos Aires, relatando a situação existente desde ontem na fronteira. Além do relato, há uma consulta sobre o significado de tais medidas para o Mercosul.

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