Fortaleza- O ministro de Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, fez um apelo dramático de socorro aos organismos multilateraias de financiamento para tirar o país da crise na qual mergulhou há mais de 40 meses. Caso contrário, alertou o ministro, no primeiro seminário econômico durante a Assembléia Geral do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ‘‘a situação poderá se aprofundar ainda mais’’.
Ministro da Economia alerta que se não houver liberação de recursos ‘‘a situação poderá se aprofundar ainda mais’’
Jorge Lenicov sentou-se ao lado do presidente do BID, Enrique Iglesias, no seminário em Fortaleza: sem apoio de organismos de financiamento
Sentado ao lado do presidente do BID, Enrique Iglesias, no seminário ‘‘Perspectivas e lições para a América Latina’’, Lenicov ressaltou: ‘‘Somos a única opção para chegar a setembro de 2003’’, ao se referir às eleições do próximo ano, quando termina o governo de transição do presidente Eduardo Duhalde.
Com muita humildade, característica não comum entre os argentinos, Lenicov explicou que a Argentina quer normalizar a sua economia e ‘‘construir pilares’’ que lhe permitam retomar a credibilidade perdida, tanto interna como externamente. No entanto, a situação argentina parece não estar sensibilizando muito o presidente do BID, que, nos últimos dias, tem declarado repetidamente que parte dos US$ 6 bilhões que o banco disponibilizará este ano para países com crise semelhante à argentina, será aprovada só quando o governo Duhalde chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
De forma pausada, Lenicov explicou ainda que a Argentina está há mais de 40 meses em recessão, período no qual o PIB do país caiu 15% e os investimentos despencaram 43%. ‘‘Só no ano passado, a atividade industrial recuou mais de 20% e os depósitos bancários, 23%, enquanto que o déficit fiscal pulou para 6% do PIB e as reservas se reduziram à metade’’, explicou o ministro.
‘‘Economicamente, estamos diante de problemas cambiais, monetários e fiscais, e, do ponto de vista social, temos um dos maiores índices de desemprego e uma situação na qual mais de 40% vivem abaixo da linha da pobreza.’’ De acordo com o ministro, há cerca de oito anos não passava de 15%. A crise, acrescentou, não é simples de ser resolvida, até porque é difícil saber como e onde começar. Lenicov lembrou várias vezes que a Argentina está sem acesso algum ao mercado internacional de capitais e também não tem tido apoio dos organismos multilaterais de financiamento.
Lenicov afirmou ainda que o governo do presidente Duhalde não inventará fórmulas para sair da crise e nem fará ‘‘coisas raras ou distintas’’ do que outros países já fizeram. Ele explicou que o governo baseou seu plano econômico em quatro eixos que têm relação fundamental com o futuro do país.
Um, explicou, refere-se à saída da conversibilidade e à pesificaçào da economia. Dois, às políticas cambial, fiscal, monetária e tributária. Três, à reinserção da Argetina ao mundo e, finalmente, à reconstrução social e à reforma política.

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