Argentina faz apelo por socorro
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domingo, 10 de março de 2002
Agência Estado 
Fortaleza- O ministro de Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, fez um apelo dramático de socorro aos organismos multilateraias de financiamento para tirar o país da crise na qual mergulhou há mais de 40 meses. Caso contrário, alertou o ministro, no primeiro seminário econômico durante a Assembléia Geral do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a situação poderá se aprofundar ainda mais.
Ministro da Economia alerta que se não houver liberação de recursos a situação poderá se aprofundar ainda mais
Jorge Lenicov sentou-se ao lado do presidente do BID, Enrique Iglesias, no seminário em Fortaleza: sem apoio de organismos de financiamento
Sentado ao lado do presidente do BID, Enrique Iglesias, no seminário Perspectivas e lições para a América Latina, Lenicov ressaltou: Somos a única opção para chegar a setembro de 2003, ao se referir às eleições do próximo ano, quando termina o governo de transição do presidente Eduardo Duhalde.
Com muita humildade, característica não comum entre os argentinos, Lenicov explicou que a Argentina quer normalizar a sua economia e construir pilares que lhe permitam retomar a credibilidade perdida, tanto interna como externamente. No entanto, a situação argentina parece não estar sensibilizando muito o presidente do BID, que, nos últimos dias, tem declarado repetidamente que parte dos US$ 6 bilhões que o banco disponibilizará este ano para países com crise semelhante à argentina, será aprovada só quando o governo Duhalde chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
De forma pausada, Lenicov explicou ainda que a Argentina está há mais de 40 meses em recessão, período no qual o PIB do país caiu 15% e os investimentos despencaram 43%. Só no ano passado, a atividade industrial recuou mais de 20% e os depósitos bancários, 23%, enquanto que o déficit fiscal pulou para 6% do PIB e as reservas se reduziram à metade, explicou o ministro.
Economicamente, estamos diante de problemas cambiais, monetários e fiscais, e, do ponto de vista social, temos um dos maiores índices de desemprego e uma situação na qual mais de 40% vivem abaixo da linha da pobreza. De acordo com o ministro, há cerca de oito anos não passava de 15%. A crise, acrescentou, não é simples de ser resolvida, até porque é difícil saber como e onde começar. Lenicov lembrou várias vezes que a Argentina está sem acesso algum ao mercado internacional de capitais e também não tem tido apoio dos organismos multilaterais de financiamento.
Lenicov afirmou ainda que o governo do presidente Duhalde não inventará fórmulas para sair da crise e nem fará coisas raras ou distintas do que outros países já fizeram. Ele explicou que o governo baseou seu plano econômico em quatro eixos que têm relação fundamental com o futuro do país.
Um, explicou, refere-se à saída da conversibilidade e à pesificaçào da economia. Dois, às políticas cambial, fiscal, monetária e tributária. Três, à reinserção da Argetina ao mundo e, finalmente, à reconstrução social e à reforma política.


