Argentina estuda restrições a produtos brasileiros
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terça-feira, 06 de julho de 2004
Das Agências 
São Paulo - A Argentina decidiu aguardar que os fabricantes de eletrodomésticos brasileiros e argentinos entrem em negociação antes de impor restrição às importações brasileiras, segundo o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. De acordo com Furlan, o ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, prometeu que a regulamentação da medida que impôs tarifas mais altas para os eletroletrônicos brasileiros não será imediata.
Segundo nota do ministério, uma cláusula contida nas restrições aos eletrodomésticos de linha branca brasileiros - geladeiras, fogão e máquina de lavar roupa- faz com que essa nova medida só seja implementada mediante regulamentação.
''O ministro argentino se comprometeu a retardar o processo para que os representantes do setor privado dos dois países retomem as negociações'', informou o ministério em nota.
Em relação à adoção da alíquota de 21% para as importações argentinas de televisores brasileiros fabricados na Zona Franca de Manaus, o ministério informou que analisa se medida está de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Os dois ministros devem discutir o assunto hoje em Puerto Iguazu (Argentina), onde ocorre a reunião da cúpula do Mercosul.
Ameaça - A Associação Nacional de Fabricantes Eletroeletrônicos (Eletros) informou ontem que a ameaça do governo argentino de criar salvaguardas para reduzir as importações de produtos brasileiros da linha branca poderá interromper um processo de diálogo entre o setor privado dos dois países, iniciado no começo do ano. Se concretizada, a limitação das importações brasileiras, poderá resultar no fechamento de pelo menos uma fábrica no Brasil e a demissão de até mil trabalhadores do setor. Segundo dados da entidade, a Argentina absorve 26% das exportações brasileiras de fogões, refrigeradores e lavadoras de roupa.
O presidente da Eletros, Paulo Saab, disse ontem que o crescimento das exportações brasileiras para a Argentina no ano passado foi atípico, por conta de uma base de comparação (2002) bastante baixa. Neste ano, segundo ele, o aumento resulta principalmente de uma antecipação de compras por parte do varejo argentino, que já imaginava a possibilidade da adoção de salvaguardas.
Em 2003, o Brasil exportou para a Argentina cerca de 500 mil unidades de fogões, lavadoras e refrigeradores, o equivalente a US$ 68 milhões. Em 2002, as vendas para a Argentina haviam recuado drasticamente por conta da recessão no país vizinho, caindo para 93 mil unidades ou US$ 10 milhões. Desde setembro, o setor privado argentino vinha pedindo ao governo para restringir as importações a partir do Brasil, alegando que o Brasil adota políticas de subsídios às exportações.
A Eletros, que reúne as 28 principais empresas do setor no Brasil, diz que o pré-financiamento à exportação, o financiamento ao produto acabado, o sistema de drawback e os preços de transferência adotados no Brasil estão em conformidade com os as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). A associação diz que o acordo em discussão com os empresários argentinos caminhava para limitar os embarques de fogões para a Argentina a 95 mil unidades em 2004. No que se refere a refrigeradores e máquinas de lavar roupa, a indústria brasileira apresentou a proposta de uma cota de exportação de 310 mil refrigeradores e 191 mil lavadoras.


