A direção do Senasa, órgão responsável pelo controle da qualidade dos alimentos na Argentina, informou que recomendará à Chancelaria abertura de um painel na OMC (Organização Mundial de Comércio) para analisar a decisão do Brasil de proibir a entrada de frutas e grãos por temor de contaminação pela aftosa.
A restrição brasileira, anunciada anteontem, foi classificada como ‘‘disparate’’ pelo interventor da Senasa, Héctor Salamanco. ‘‘Está claramente estabelecido pela Organização Internacional de Epizootias (OIE) quais produtos são portadores de risco (de contaminação) e em que níveis’’, afirmou. ‘‘O Brasil tomou medidas que infringem as disposições internacionais e isso exige medidas fortes por parte do governo argentino’’, completou Salamanco.
O governo brasileiro restringiu a entrada de todo produto de origem vegetal produzido no raio de 25 quilômetros de algum foco de febre aftosa. Ontem, a Senasa reconheceu a existência de 92 focos no país, mas o próprio diretor afirmou que o número superava 110. O diário ‘‘Página 12’’, baseado em estudos do governo, sustenta que já são 300 os focos.
Embora a Chancelaria argentina não tenha se pronunciado ontem, a medida brasileira está sendo tomada como retaliação pelo fato de o ministro da Economia, Domingo Cavallo, ter decidido, de forma unilateral, reduzir a zero a tarifa de importação de bens de capital e aumentar para 35% a tarifa de uma série de bens de consumo, todos produzidos em países fora do Mercosul.
Como os 92 focos (reconhecidos) de aftosa estão na principal zona produtora de grãos do país, a decisão brasileira coloca em risco no mínimo US$ 1,2 bilhão em exportações.
O produto mais atingido seria o trigo – em 2000, o Brasil comprou do vizinho 7 milhões de toneladas do produto.
Chile A Sociedade Nacional de Agricultura do Chile pediu ontem ao ministro da Agricultura local para suspender a importação de leite e derivados da Argentina.
Europa Os sacrifícios maciços por causa da febre aftosa, que continua se expandindo em países como a Holanda – onde ontem foram anunciados três novos casos – começam a provocar um movimento de rejeição em diversos países europeus, que questionam a possibilidade de vacinar seletivamente seu gado. O Reino Unido já sacrificou mais de 750.000 animais. Na Holanda, os sacrifícios chegam a 27.000.

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