A Argentina está estudando a aplicação de quotas para importações do Brasil, caso a desvalorização do real venha a provocar uma invasão de produtos baratos no país, disse um porta-voz do Ministério da Economia em Buenos Aires à agência Dow Jones. Segundo o porta-voz, os danos estão sendo monitorados e, se forem muito grandes, as medidas serão adotadas.
As quotas seriam aplicadas aos bens transacionais dentro do Mercosul, mas ele não especificou quais itens seriam afetados.
O porta-voz disse que a Argentina tem o direito de aplicar estes mecanismos no âmbito do acordo do Mercosul, assim como no da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração). Se adotadas, as medidas vão buscar reduzir o impacto da queda do real. O ministro da Economia, Roque Fernández, gravou uma entrevista à televisão argentina em que reitera que as quotas só serão adotadas depois de um estudo definitivo do impacto sobre setores específicos.
‘‘Não estamos estudando medidas iminentes. Quando preparamos as análises sobre quais medidas compensatórias poderiam ser adotadas, buscamos medidas previstas no Mercosul e na Aladi’’, disse Fernández na entrevista ao canal da tevê Todo Notícias, cujos trechos foram reproduzidos pela agência DyN. ‘‘Ninguém pode ter certeza que a taxa de câmbio do real neste momento, após a mudança na política cambial (no Brasil), será a taxa de câmbio no longo prazo’’, disse Fernández.
Desta forma, acrescentou, ‘‘é razoável que existam medidas compensatórias’’.
Na semana passada, o governo Menem já havia determinado que todas as importações argentinas do Brasil terão de estar acompanhadas de uma declaração prévia da operação. Na prática, isso funcionará como um monitoramento prévio para detectar ou não eventual concorrência desleal. Com isso, será mais fácil aplicar a legislação antidumping do país.
O secretário (ministro) de Indústria e Comércio, Alieto Guadagni, confirmou que esse mecanismo vai acelerar os processos antidumping se houver concorrência desleal contra produtos argentinos. Ele negou que essa medida seja uma resposta às licências prévias também exigidas pelo Brasl, que as adotou, segundo ele, por questões sanitárias. ‘‘O objetivo argentino tem caráter estatístico’’, afirmou Guadagni.
O cerco contra os efeitos da desvalrozação do real, entretanto, não param aí.
O governo Menem determinou ainda a redução de 14% para 6% a tarifa externa para a importação de bens de capital não produzidos no Mercosul. A nova tarifa, segundo Guadagni, serve para manter a competitividade de empresas que estão investindo na Argentina. Por sua vez, o ministro de economia exortou os argentinos a se manterem calmos e insistiu que ‘‘a vida cotidiana não vai sofrer muito e que, numa análise final, (a crise) será superada.Arquivo FolhaContrapartidaO ministro argentino Roque Fernandez: ‘‘É razoável que adotemos agora medidas compensatórias’’Agência Estado-Dow Jones

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