Argentina em liquidação: picanha a R$ 4,00
Foz do Iguaçu - Argentinos de Puerto Iguazú estão comemorando o retorno de consumidores brasileiros e paraguaios, motivados com a desvalorização do peso. A recente queda diante do dólar deixou a moeda argentina e o real cotados a um por um. Comerciantes da cidade vizinha de Foz do Iguaçu já pensam em investir nos negócios graças às vendas de mercadorias aos estrangeiros.
A reativação do comércio pode ser percebido com o aumento do tráfego na Ponte Tancredo Neves. Antes da desvalorização do peso, dois mil veículos faziam a travessia todos os dias. Durante esta semana, em média 4 mil carros cruzaram a fronteira diariamente, saindo de Foz para Puerto Iguazú. Ontem, o fluxo foi maior por causa do feriado de Páscoa, obrigando a polícia a improvisar duas guaritas para agilizar o trânsito.
A maioria busca abastecer os veículos em postos onde pagam 0,99 peso pelo litro da gasolina, valor bem inferior a R$ 1,60 cobrado no Brasil. Somente um posto atendeu ontem mais de 500 motoristas. Um dos clientes, o taxista José de Almeida, 63 anos, considera a gasolina no Brasil muito cara. Com R$ 35,00, coloquei 35 litros no tanque. Em Foz, daria para 20 litros.
O comércio varejista também contabiliza um aquecimento nas vendas pós-desvalorização. Brasileiros têm optado por bebidas (vinho) e alimentos frios, como queijo, salame e azeitona, além de carne. O quilo da picanha, por exemplo, pode ser comprado por R$ 4,00 (em Foz chega a custar R$ 15,00). Os preços se tornaram bem mais viáveis, afirma o comerciante Jorge Fonte, 39.
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Preocupada em atrair consumidores, a empresária Martan Bordon mandou reformar a fachada do Supermercado Cimar Ket e pintar o letreiro. É um ciclo. Quando um lado da fronteira vai mal, passa atrair clientes do país vizinho, explicou a comerciante, satisfeita com os cerca de 200 estrangeiros que gastam diariamente R$ 50,00 em média em seu estabelecimento.
Outra atividade beneficiada foi uma antiga feira de produtos alimentícios. Ano passado, somente seis barracas exploravam o local, atualmente são mais de 400 revendedores. Eles oferecem alimentos pela metade do preço em relação aos valores praticados no comércio de Foz do Iguaçu.





