Argentina em alerta: pacote sai hoje
As expectativas acumuladas nos últimos dias sobre o conteúdo do pacote de ajuste argentino terão seu clímax hoje, quando o ministro da Economia, Ricardo López Murphy, anunciará as medidas com as quais pretende colocar as contas do país em ordem e assim recuperar a confiança dos mercados internacionais.
O secretário de Finanças, Daniel Marx, admitiu que algumas medidas implicarão em dor, mas também avisou que se este pacote não for realizado, a situação do país poderia ser ainda mais adversa.
A equipe de assessores liberais ortodoxos de López Murphy preparou um pacote que pretende cortar US$ 2 bilhões do Orçamento Nacional, dos quais metade seria eliminada das verbas para a União, enquanto que a outra metade seria perdida pelas províncias.
O pacote incluiria a eliminação de subsídios ao combustível na Patagônia e ao cultivo do tabaco no empobrecido norte do país. Também estaria na lista de medidas a suspensão da isenção do Imposto de Valor Agregado (IVA) para setores que ainda estavam protegidos. Além disso, está prevista a demissão de um terço dos funcionários públicos, que seria feita de forma gradual.
A educação teria dois duros golpes, com a redução do orçamento para as universidades públicas e a eliminação do Fundo Docente, que serve de complemento para o salário dos professores das escolas públicas.
Os governadores do partido Justicialista (também conhecido como peronista), da oposição, reuniram-se para analisar a estratégia a tomar diante do pacote. Os governadores, que controlam as principais províncias do país, já anunciaram que não aceitarão medidas de ajuste.
O impacto que este novo ajuste na economia argentina o terceiro desde que o presidente Fernando De la Rúa tomou posse em dezembro de 1999 preocupa a ala política do governo. O motivo é que este ano serão realizadas eleições parlamentares, onde será renovado todo o Senado e metade da Câmara de Deputados. Mesmo antes do pacote de ajuste os analistas afirmavam que o governo seria derrotado. Com o pacote, eles sustentam que a derrota está confirmada. Mas, em uma entrevista ao jornal La Nación, López Murphy disse que não está pensando nas eleições de outubro.





