Argentina eleva preço do trigo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de maio de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A escassez de trigo nesse período de entressafra está levando a Argentina a aumentar os preços do grão no Brasil. Os estoques dos moinhos brasileiros praticamente chegaram ao fim e as importações estão se intensificando. Em função disso, o preço do trigo teve uma elevação em torno de 40%, nos últimos meses. Os moinhos estão repassando esse aumento para o preço da farinha aos poucos. A expectativa é que o preço da farinha aumente em até 15% e até agora cerca de 8% do custo da importação já foi repassado.
No Paraná, os preços dos estoques ainda existentes também reagiram e os moinhos estão pagando R$ 14,00 a saca. A Ocepar acredita que o Estado deve ter no máximo 150.000 toneladas em estoques nas cooperativas e cerealistas. No começo do ano, os moinhos estavam importando o trigo da Argentina entre US$ 88 e US$ 91 a tonelada (fob Argentina) e atualmente o produto está cotado em US$ 130/t, informou Acir Martins da Silva, gerente do moinho da Cotriguaçu, em Palotina.
Com as taxas de internalização, o trigo chega a Paranaguá entre US$ 152 e US$ 154 a tonelada. Já os moinhos do Nordeste estão se abastecendo do trigo norte-americano.
Essa cotação é para quem está comprando agora, destaca Silva. Isso porque para junho, a cotação está em US$ 131/t; em julho, US$ 134/t e em agosto US$ 139/t. Isso mostra que quando começar a colheita do trigo em setembro, o preço do grão estará elevado e os moinhos estarão ávidos para comprar a produção nacional, o que leva a crer que esse ano o produtor deverá receber um bom preço pelo seu produto, avalia.
Com o aumento no preço do trigo, os moinhos estão repassando o custo da importação para a farinha. Segundo Silva, até agora o mercado está aceitando esse reajuste. Ele acredita que não haverá empecilhos para fazer a recomposição dos preços, porque a demanda está aquecida. Para esse ano, prevê-se um consumo entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas, um acréscimo de 300.000 toneladas ao volume consumido no ano passado, que foi de 9,2 milhões de toneladas, informou Flávio Turra, da Ocepar.
Só a indústria de macarrão absorve entre 16% e 18% do trigo consumido no país. Segundo o presidente da Abima Associação Brasileira da Indústria de Massas, Aluisio Quintanilha, a expansão do mercado de macarrão está condicionada à melhoria do poder aquisitivo da população. Desde 98 que as vendas de macarrão estão estagnadas em função da reação dos preços, quando o impacto da desvalorização cambial foi repassado para os produtos. Em 98, o país consumiu 8,6 milhões de t de trigo.
Para Silva, da Cotriguaçu, o país terá que importar este ano 7,5 milhões de toneladas para completar o quadro de abastecimento interno. Ele acredita que a disponibilidade de trigo na Argentina poderá abastecer a região Sul do País. Já a região Nordeste vai buscar o trigo nos Estados Unidos, Canadá e Austrália, países que estão ofertando o produto atualmente.


