Argentina e olé espanhol fazem o dólar derreter
A surpreendente compra do Banespa pelo Banco Santander Central Hispano pela manhã e o acordo entre o governo argentino e a maioria dos governadores do Partido Justicialista para o congelamento dos gastos das províncias à tarde motivaram o tombo do dólar ontem. O comercial oscilou 2,87% durante o dia, antes de fechar com queda de 2,49%, cotado na venda a R$ 1,918, menor preço desde 30 de outubro. Com esse resultado, o ganho acumulado pela moeda que já atingiu 3,63% no pico do mês no dia 9 encolheu para 0,89%.
O recuo do dólar ontem iniciou logo após o resultado do leilão de privatização do Banespa. Analistas comentaram que tanto o comprador final quanto o ágio pago surpreenderam o mercado. A expectativa de ingresso no País desses recursos uma parte via BC e outra através do mercado até segunda-feira motivou tesourarias de bancos a vender dólar antes que os preços cedessem mais.
O mercado ignorou as más notícias domésticas e do exterior. Internamente, ninguém deu bola ontem para o péssimo resultado da balança comercial, que já acumula déficit de US$ 262 milhões neste mês e de 106 milhões neste ano. Também passou batido o déficit em transações correntes de US$ 3,480 bilhões no mês de outubro, o pior resultado desde de dezembro de 1998, causado principalmente pelo desequilíbrio das contas de comércio, segundo o BC.
A Bovespa fechou em alta de 1,23%, com volume financeiro de R$ 859 milhões. Teria subido mais, segundo operadores, se a Nasdaq não tivesse novamente perdido o chão nesta segunda-feira, por causa de recomendações negativas de investimentos no setor. A Bolsa eletrônica americana despencou 5,6%.(Márcia Pinheiro, Silvana Rocha e Marisa Castellani)





