Washington O Fundo Monetário Internacional informou ontem ter chegado a um acordo provisório com a Argentina ''ad referendum''. O acordo será apresentado nos próximos dias à aprovação da diretoria executiva do FMI. ''Podemos confirmar que um acordo foi alcançado entre o staff do Fundo e os negociadores argentinos'', informou o porta-voz da instituição, Thomas Dawson, ontem à tarde, horas depois de ter dito que as conversas iam bem e que um entendimento poderia ser ocorrer ''nas próximas 36 horas''. O porta-voz esclareceu que o acordo não envolverá novos desembolsos.
Segundo fontes argentinas, o montante do crédito a ser concedido pelo Fundo de US$ 6,1 bilhões permitirá ao governo de Buenos Aires saldar os pagamentos em atraso ou pendentes com os organismos financeiros multilaterais entre janeiro e agosto. ''Nós insistimos em algum dinheiro novo, mas aceitamos um acordo que permitirá evitar novos episódios de não pagamento e, ao mesmo tempo, manter o nosso nível de reservas'', explicou uma fonte argentina.
As obrigações a serem cobertas pelo crédito do FMI incluem um vencimento, ontem, de US$ 980 milhões com o Fundo e US$ 830 milhões em pagamentos em atraso desde o mês passado ao Banco Mundial.
''A Argentina sai fortalecida'' das negociações com o FMI, afirmou o ministro da Economia, Roberto Lavagna, em entrevista exclusiva à Agência Estado. Segundo o ministro, o mais importante desse processo, que durou um ano, é que a Argentina mantém suas boas relações com o FMI e sai fortalecida porque conta com apoio internacional. Lavagna afirmou que o acordo satisfaz as necessidades do país neste momento.
Anteontem, a Argentina deixou de honrar um débito de US$ 750 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento, no segundo e último prazo de pagamento. O BID imediatamente anunciou a suspensão de novos desembolsos uma medida que não terá efeito prático, porque não há desembolsos previstos nas próximas semanas e meses.
A decisão da Argentina foi explicada em carta à diretoria executiva do BID pelo ministro da Economia, Roberto Lavagna, como um passo que seu governo não desejava mas teve que dar, relutantemente, no contexto das negociações em curso com o FMI. ''Os argentinos claramente usaram o pagamento ao BID para fazer pressão em favor do fechamento do acordo provisório com o Fundo'', disse uma fonte do BID. ''Eles temem pagar o BID e, depois, ouvirem mais um não do Fundo''. O montante de pagamentos da Argentina aos organismos multilaterais este mês, de aproximadamente US$ 2,5 bilhões, corresponde a um quarto das reservas cambiais do país.
Outras fontes oficiais disseram à Agência Estado que, embora a decisão política do FMI de fazer o acordo provisório com a Argentina esteja tomada, uma forte resistência do ''staff'' da organização complicou a fase final dos entendimentos, que começaram para valer depois que a diretoria executiva da instituição deu a luz verde, em reunião na semana passada.

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