O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu ontem apoio dos governos americano e argentino, na sua tentativa de acalmar os mercados. Enquanto a bolsa brasileira caía pelo quarto dia consecutivo, arrastando as bolsas da América Latina e da Europa, o presidente da Argentina, Carlos Menem, e seu ministro da Economia, Roque Fernandez, diziam em Washington que não havia motivos para tanta preocupação.
‘‘Acho que a situação vai se acalmar, na medida em que os investidores estrangeiros entendam o que realmente aconteceu no Brasil’’, disse Roque Fernandez, referindo-se a crise desencadeada pelo governador Itamar Franco, ao decretar uma moratória de 90 dias da dívida de Minas Gerais. ‘‘Trata-se da ação isolada de um único governador, sobre uma quantia relativamente pequena, cujo credor é o governo federal brasileiro’’, disse Fernandez.
A situação do Brasil também foi discutida pela manhã, num encontro de Menem e Fernandez com os mesmos homens que ajudaram a montar o pacote de ajuda internacional ao Brasil: o secretário do Tesouro americano, Robert Rubin; o diretor-executivo do FMI, Michel Camdessus, e os presidentes do Banco Mundial, James Wolfensohn, e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique Iglesias. Rubin assegurou que FHC ‘‘está totalmente decidido a fazer o que precisa ser feito’’ para solucionar a crise e que ele conta com ‘‘o apoio da comunidade global’’.

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