SÃO PAULO - Um consórcio internacional liderado pela Petrobras, Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), Alberta Energy Corporation (Canadá) e Mobil Corporation (EUA), entre outras, quer investir US$ 1,5 bilhão na construção de um gasoduto de 3,1 mil quilômetros entre as cidades de Corrientes, região noroeste da Argentina, e São Paulo.
O projeto, que permitirá a compra de 25 milhões de metros cúbicos diários de gás natural argentino, será anunciado na próxima terça-feira na cidade de Corrientes, um dos centros urbanos por onde passará a tubulação de 30 polegadas (76,2 centímetros de diâmetro).
Os Estados beneficiados com o gás argentino serão o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. O empreendimento deve começar a ser construído no próximo ano e poderá entrar em operação já no final do ano 2000 ou começo de 2001, suprindo um mercado de 70 milhões de pessoas, de acordo com o jornal argentino ‘‘La Nación’’.
O projeto, denominado até agora de ‘‘Gasoduto Mercosul’’, terá dimensões gigantescas para a região e promete transformar-se no maior negócio de gás da Argentina desde a privatização do setor, em 1992. No trajeto do gasoduto, cidades argentinas como as de Santa Fé, Corrientes, Chaco, Formosa a Misiones serão também beneficiadas com o gás natural.
O projeto é mais ambicioso ainda e prevê a construção de termoelétricas, cuja energia seria também exportada para o Brasil. Uma segunda fase do projeto prevê a construação de uma ramificação entre as localidades de Palo Santo, na Argentina, e Assunção, no Paraguai.
O Gasoduto Mercosul faz parte de um amplo programa de integração energética na região. Hoje, por exemplo, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a União Européia (UE) decidiram se unir para fazer parte de um projeto latino-americano de integração energética.
Embora sem adiantar cifras, tanto o BID como a UE decidiram apoiar o projeto, que prevê a construção de uma rede elétrica que integrará 70 milhões de novos consumidores de países da América do Sul: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Bolívia, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador.
A Comissão de Integração Elétrica Regional (Cier), organização não-governamental com sede em Montevidéu e que agrupa 180 empresas de serviços energéticos dos dez países envolvidos, acredita que, devido ao crescimento do mercado sul-americano, será necesssário aumentar a geração de energia elétrica na região entre 70 mil e 163 mil megawatts na próxima década.

mockup