Argentina e Brasil disputam indústria
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quinta-feira, 13 de março de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Albari RosaAcordo fechadoRobert Eaton, presidente da Chrysler, e Lerner, durante oficialização da montadora em Campo LargoAs diretorias da Chrysler e da BMW decidem nos próximos dois meses onde vão instalar a primeira fábrica de motores na América Latina. As duas empresas formaram uma joint venture no ano passado para fabricar motores. Segundo o presidente mundial da Chrysler, Roberto Eaton, os diretores estão divididos entre Argentina e Brasil. A existência de uma fábrica de automóveis no município de Campo Largo, região metropolitana de Curitiba, coloca o Estado na disputa pela fábrica de motores.
O presidente da Chrysler esteve ontem no Palácio Iguaçu com o governador Jaime Lerner para a solenidade que oficializou a instalação da montadora em Campo Largo. Ele anunciou que a empresa tem interesse em iniciar a construção da fábrica de automóveis dentro de um mês. Estamos prontos para começar a partir de hoje, disse Eaton. Antes do início da construção, começará um curso de treinamento de mão-de-obra próximo ao local onde será erguida a fábrica.
A Chrysler produzirá 12 mil carros modelo Dodge Dakota na primeira etapa. A capacidade de produção chegará a 40 mil unidades em três anos. Robert Eaton disse que a empresa irá gerar 400 empregos diretos, na fase inicial. A produção começa a partir do final do próximo ano, quando as fornecedoras deverão estar instaladas. A Detroit Diesel Corporation é uma das principais fornecedoras. Ela já assinou protocolo de intenções para construir uma fábrica em Curitiba, que vai produzir motores a diesel para a Chrysler. Os motores à gasolina vêm dos Estados Unidos, informou Eaton.
Quanto à possibilidade de instalar a fábrica de motores da Chrysler/BMW próxima a montadora, Robert Eaton preferiu fazer segredo. Quem decidirá para onde irá a fábrica de motores é a joint venture afirmou. Ele disse que tudo depende da infra-estrutura oferecida e da disponibilidade de trabalho qualificado. Outro fator que deve pesar na decisão entre Brasil e Argentina é a proximidade com fornecedores.
A fábrica de motores da Chrysler/BMW terá um investimento de US$ 500 milhões, onde a BMW entra com 50% e a Chrysler com a outra metade. A unidade terá capacidade anual para a fabricação de 400 mil motores 1.4 e um 1.6 à gasolina. A BMW e Chrysler têm pressa em iniciar a produção de motores.
A intenção é entrar em funcionamento a partir do início de 1999. Além do mercado interno, os motores serão exportados para os Estados Unidos e Europa. Eles serão utilizados nos carros das marcas Land Rower e da própria Chrysler.


