BUENOS AIRES - O Brasil instalou um poderoso ímã que atrai os investimentos na indústria automotiva, em detrimento da Argentina, seu principal sócio no Mercosul, indicaram ontem fontes da indústria argentina. Porta-vozes dos fabricantes argentinos de veículos indicaram que doze grandes empresas multinacionais estão se instalando no Brasil, amparadas por um regime de radicalização de investimentos muito atraente.
O governo do presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou, no final de 1996, a aplicação de um sistema de incentivos fiscais para a instalação de fábricas de automóveis nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A decisão criou uma onda de protestos dos fabricantes argentinos e provocou a reação da Casa Rosada, que se comprometeu em encontrar uma fórmula de compensação, mas o esforço ainda foi em vão.
Uma fonte da Associação de Fábricas de Automotivos garantiu, a respeito, que a solução só pode ser encontrada numa negociação bilateral sincera, de maneira a colocar sobre a mesa as questões pendentes.
O porta-voz da entidade disse que a origem do problema está nas ‘‘fortes assimetrias’’ que subsistem dentro do empreendimento, apesar dos avanços obtidos no terreno da integração.
Os dois únicos países que têm uma indústria automotiva desenvolvida na região foram os pioneiros em termos de integração, com a assinatura de um conjunto de protocolos em 1987.
Quando na época o Mercado Comum do Sul era uma iniciativa embrionária, negociada com o Paraguai e o Uruguai, os industriais do setor desenvolveram um acordo selado pelos presidentes Raúl Alfonsín (Argentina) e José Sarney (Brasil).

Tarifa comum e
livre intercâmbio
entre os países
estariam ameaçados


No primeiro dia de 1995 entrou em vigência a união alfandegária e o território comum de livre comércio entre as quatro nações, mas o setor de fabricação de veículos continuou em litígio.
Um entendimento alcançado meses depois pelos presidentes Carlos Menem (Argentina) e Fernando Henrique (Brasil) pareceu deixar o caminho livre de obstáculos, mas a nova determinação unilateral de Brasília de conceder subsídios introduziu o tema em uma situação delicada.
A fonte disse que as assimetrias econômicas continuam de pé no Mercosul, ao mesmo tempo em que a União Européia (UE) ainda tenta aplicar uma fórmula que unifique solidamente as economias, depois de longos anos de negociações.
O Brasil ocupa atualmente o décimo lugar entre os países que contam com a indústria de automóveis e se calcula que, no ano 2000, terá uma produção anual de mais de 2.500.000 unidades.
A Argentina alcançou, no ano passado, uma produção global de 285.435 unidades, abaixo do recorde histórico de 400.000 veículos em 1994, mas a tendência assinala o crescimento do setor.
As exportações de veículos foram de 38.657 unidades em 1995 a 52.746 em 1996, e o destino primordial das vendas foi o Brasil, assim como acontece com outros segmentos da produção e do comércio. Mas os industriais argentinos argumentam que é difícil manter a longo prazo a tarifa externa comum e o livre intercâmbio se as assimetrias aumentarem.

mockup