As novas medidas aprovadas pelo governo argentino para intensificar o controle fitossanitário de tomates importados do Brasil estão mantendo caminhões parados na aduana por vários dias, quando deveriam cruzar a fronteira em 24 horas. Somente ontem em Puerto Iguazú, cidade próxima a Foz do Iguaçu, sete motoristas aguardavam a permissão para entrar no país com hortifrutis.
A portaria, baixada há dez dias, determina que o tomate seja analisado no laboratório central do Serviço Nacional Sanitário (Senasa), em Buenos Aires, retardando a liberação da carga em pelo menos 72 horas. A empresa transportadora Cremonese, de Foz do Iguaçu, está com três caminhões parados na fiscalização. ‘‘Agora é que começamos a sofrer com as consequências. Meu prejuízo chega a R$ 10 mil por caminhão/dia, sem incluir despesas de manutenção e diárias dos motoristas’’, comentou o empresário Alaor Cremonese.
Entre os funcionários da transportadora, a Folha encontrou o caminhoneiro Antonio Cardoso de Lima, 50 anos, aguardando a liberação da carga desde o último dia 13. Ele disse que o tomate não suporta mais que três dias até ser consumido e que só permanece na fronteira porque está mantendo a carga refrigerada (20 t). ‘‘Já gastei quase 250 litros de óleo diesel somente para deixar a máquina funcionando. Se ficar mais um dia, o tomate estará perdido’’, comentou Lima, que, depois de ser liberado, deve demorar ainda mais dois dias para chegar a Córdoba, região central da Argentina.
Além dos motoristas brasileiros, dois caminhoneiros argentinos também estão tendo prejuízos com o transporte do produto. Parados há seis dias, os funcionários de uma importadora do país vizinho que não possuem câmara de refrigeração nos veículos, já começaram a jogar fora o tomate. ‘‘Amanhã (hoje) completaremos uma semana e o prejuízo é certo. Não entendemos por que as autoridades estão dificultando a entrada do produto’’, comentou o importador argentino Angelo Ruiz Diaz.
Tanto os empresários brasileiros quanto argentinos sugerem que a medida seria protecionista, já que a produção de uma caixa de tomate no Brasil é 70% mais barata.
Apesar de não estarem incluídos na nova determinação do Senasa, produtos como a uva e a melancia também estão tendo dificuldades para serem liberados pela fiscalização argentina. Ontem, o caminhoneiro Celso Tadeu Batalha Moura, um dos quatro motoristas que transportavam frutas, já ameaçava desistir de levar a carga de melancia. ‘‘Eles estão boicotando nossos produtos. Com o calor aumentando na região, se ficar mais um dia aqui terei que jogar tudo fora e voltar.’’
Na Central de Abastecimento de Foz do Iguaçu (Ceasa), os atacadistas estão deixando de exportar diariamente cerca de 250 toneladas, prejuízo que pode chegar a US$ 50 mil em uma única manhã.

mockup