O Ministério da Agricultura não foi comunicado pela Argentina sobre o fechamento de fronteira para o comércio formal de carnes e de frutas com o Brasil. A delegacia do ministério no Paraná admite que esse tipo de proibição possa ocorrer com o ‘‘comércio formiga’’, praticado informalmente na região de fronteira. A informação de que o presidente Carlos Menem proibiu a entrada de carne vermelha e frutas cítricas procedentes do Brasil, em função do país estar reivindicando o reconhecimento de área livre de febre aftosa sem vacinação, surpreendeu os técnicos em Brasília.
‘‘Se foi decretado algum tipo de reforço na fiscalização sanitária na fronteira entre os dois países, o ministério não foi informado’’, disse ontem o delegado do Ministério da Agricultura no Paraná, Mário Bezerra Guimarães. Ele também disse que não recebeu protestos de nenhuma empresa que tem comércio de alimentos de origem animal e vegetal entre os dois países. Em relação à proibição da comercialização de carne vermelha para a Argentina, o delegado lembrou que o Paraná não será prejudicado porque não tem tradição na exportação desse tipo de produto. ‘‘Quando isso ocorre a venda é restrita à carne sem osso e maturada’’, explicou.
Segundo Guimarães, existem normas internacionais a serem seguidas no comércio internacional e se realmente a Argentina adotou uma atitude dessas,‘‘não poderia ter feito de forma unilateral, sendo que existem acordos de comércio entre os dois países que precisam ser respeitados’’, salientou.
O chefe da Defesa Sanitária Animal, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Felizberto Baptista, acredita que a Argentina esteja reforçando a fiscalização na fronteira. Isso porque a Argentina está mudando o estado sanitário com relação à febre aftosa e se encontra num estágio mais avançado que o Brasil, onde os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina já foram reconhecidos como área livre de febre aftosa, mas com vacinação. E o Paraná está há um passo de conquistar esse reconhecimento, porque está há quatro anos sem registrar focos de febre aftosa, acrescentou.
Área livre Baptista explicou que a Argentina está para ser reconhecido internacionalmente de que é área livre de febre aftosa sem vacinação e por isso está reforçando a fiscalização na fronteira como medida de biossegurança. Essa declaração poderá ser concretizada na próxima reunião da Organização Internacional de Epizootias (OIE) na segunda quinzena de maio. Apesar disso Baptista concorda com a posição do ministério da Agricultura de que a Argentina tem que negociar com o Brasil algumas cláusulas sobre o comércio entre os dois países.
O técnico da Secretaria da Agricultura aproveitou o incidente para lembrar aos criadores paranaenses que daqui para frente as barreiras sanitárias vão substituir as barreiras comerciais. ‘‘ Talvez a Argentina se sinta prejudicada no comércio de alimentos com o Brasil após a desvalorização cambial e por isso está adotando essas práticas’’. São para episódios como esse que os produtores precisam se preparar e procurar avançar ao máximo na questão sanitária, que certamente será utilizada como ‘‘ barreira comercial’’ por outros países, finalizou.

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