Argentina desvaloriza moeda
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sábado, 16 de junho de 2001
Rogério Wassermann Agência Folha 
Um peso deixou de valer um dólar na Argentina, ao menos para o comércio exterior. O preço das exportações e as importações argentinas a partir de segunda-feira será traduzido pelo valor de uma cesta de moedas que combina o dólar e o euro. Na prática, o peso para o comércio exterior será desvalorizado e passa a valer cerca de US$ 0,92.
O novo pacote de reativação da economia argentina foi lançado na sexta-feira pelo presidente Fernando de la Rúa e pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo. Segundo Cavallo, a idéia é antecipar, somente para o comércio exterior, a vigência da nova conversibilidade para o peso, baseada na cesta da moedas.
Em abril, Cavallo havia apresentado um projeto para alterar a conversibilidade a fim de incorporar o euro à cotação do peso. No entanto, o novo método de cotação do peso passaria a vigorar apenas quando um dólar valesse um euro. Segundo analistas, isso poderia levar dois ou três anos.
A partir de segunda-feira, os exportadores receberão, por US$ 1 exportado, um excedente equivalente à diferença entre a média do valor do euro (em dólares) e do dólar (nesta sexta-feira, US$ 0,08). O mesmo US$ 0,08 deve ser pago pelos importadores para cada US$ 1 comprado do exterior.
O presidente Fernando de la Rúa, que acompanhou Cavallo no anúncio do pacote, afirmou que a medida não deve ser confundida com uma alteração imediata na paridade entre o dólar e o peso, porque ela continuará vigente para todas as demais transações comerciais. Não há risco para ninguém, é só uma promoção das exportações, afirmou o presidente argentino.
Cavallo anunciou também a redução de US$ 400 milhões em incentivos pagos hoje a determinados produtos de exportação, que chegam a 12% em alguns casos. Esses subsídios serão reduzidos em oito pontos percentuais.
Além dessas medidas, o governo anunciou reduções de impostos para quem ganha entre US$ 1.500 e US$ 4.000 mensais, o incentivo à compra de moradias, possibilidades de benefícios para quem ganha menos de US$ 1.500 e a redução das contribuições sociais das empresas por meio do seu desconto no Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
O pacote anunciado ontem inclui ainda a criação de um fundo para investimentos em construção e manutenção de estradas, financiado, no primeiro ano, por um aumento nos combustíveis e a aplicação do IVA aos transportes, hoje isentos. Em um ano, o governo espera implementar uma rede de pedágios que vão financiar o programa.
A medida faz parte de mais um pacote de reativação da economia, em recessão há mais de três anos. Um dos mais sérios problemas argentinos é a falta de competitividade de seus produtos no mercado internacional. Como o peso é, desde 1990, atrelado ao dólar - desde então um peso vale um dólar -, a moeda argentina sobrevalorizou-se com a moeda norte-americana, o que tornou os produtos do país mais caros e tornou mais atrativa a importação.


