Argentina declara feriado bancário
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sábado, 02 de fevereiro de 2002
France Presse Buenos Aires 
O Banco Central argentino vai declarar feriado bancário na segunda e terça-feiras. Ontem, a Suprema Corte decretou inconstitucionalidade do corralito
O Banco Central da Argentina vai declarar feriado bancário e cambial nas próximas segunda e terça-feira, informou esta ontem da instituição. A diretoria da entidade está analisando a possibilidade de autorizar algumas poucas operações, mas dependendo do quadro pode-se anunciar um feriado total do setor financeiro.
A medida será tomada pelos anúncios econômicos que serão feitos pelo presidente Eduardo Duhalde e agora tomou mais força por causa da decisão da Suprema Corte, que decretou a inconstitucionalidade do corralito (restrições aos saques bancários), disse o porta-voz.
Milhares de argentinos buscaram refúgio esta sexta-feira na compra de dólares, empurrando o valor da moeda para mais de dois pesos, num dia nervoso para o setor financeiro e cambial.
A Corte Suprema da Argentina considerou ontem inconstitucional o confisco dos depósitos e as restrições a saques bancários e abriu uma crise sem precedentes no sistema financeiro do país.
A decisão, tomada no plenário da corte por seis votos a favor e três abstenções, vale para todos os correntistas argentinos e suspende o decreto do ex-presidente Fernando de la Rúa, depois aprovado pelo Congresso, que criava as restrições aos saques. Vale também para todas as emendas ao decreto estabelecidas durante o governo Eduardo Duhalde.
A medida agrada aos correntistas de todo o país, que vinham fazendo panelaços diários pelo fim do confisco, mas pode gerar a quebradeira de diversos bancos, além de colocar em guerra os poderes Executivo e Judiciário argentinos.
A Suprema Corte considerou que os limites aos saques provocaram o aniquilamento dos direitos de propriedade. Funcionários do governo, como o ministro Jorge Vanossi (Justiça) criticaram a decisão e já falam em um guerra de Poderes.
Especula-se que o governo deverá decretar feriado bancário na segunda-feira, quando a medida passa a ser efetiva, para conter a provável corrida aos bancos.
Caso todos os correntistas decidam sacar suas aplicações, os bancos terão problemas, uma vez que não têm recursos suficientes em caixa para honrar todos os US$ 64 bilhões em depósitos dos argentinos. E é bem provável que todos os correntistas venham a sacar mesmo seus recursos porque a população quer comprar dólares para se proteger da desvalorização cambial.
Os juízes, no entanto, afirmam no despacho não acreditar que a decisão poderá implicar em graves prejuízos aos bancos. Vale lembrar que a decisão também poderá diminuir a impopularidade dos juízes. Nos últimos meses, vários panelaços pediram a renúncia de toda a corte. Com o fim do limite para os saques, os juízes esperam recuperar apoio da população.
HistóricoA restrição aos saques bancários, o chamado corralito (curralzinho, em português), foi adotada em 1º de dezembro do ano passado, ainda durante o governo do ex-presidente Fernando de la Rúa, e prorrogada pelo atual presidente Eduardo Duhalde.


