Argentina dá arrecadação como garantia
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sexta-feira, 02 de novembro de 2001
Agência Folha<BR>De Buenos Aires 
A arrecadação tributária será a garantia que o governo argentino dará para os credores na reestruturação ''voluntária'' da dívida do país. Essa alternativa foi apresentada na noite de quinta-feira pelo próprio presidente Fernando de la Rúa, em um discurso gravado, em que admitia que o país não tem crédito no exterior (''no hay plata'', disseram Cavallo e De la Rúa) e que pleiteia dos organismos internacionais e bancos somente ''compreensão''.
Pelo discurso do governo, nenhum novo título resultante da reestruturação teria juros superiores a 7% anuais isso significa a metade dos juros dos títulos da operação de troca de US$ 29,7 bilhões feita em junho e cinco pontos percentuais abaixo da média dos juros anuais pagos pelos demais papéis da dívida. Com essa medida, disse De la Rúa, a Argentina poderia poupar US$ 4 bilhões em juros da dívida em 2002. Neste ano, admitiu, o país pagará US$ 14 bilhões em juros.
Depois de escutar o discurso, com banqueiros e empresários, no auditório do Banco de la Nación, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, reafirmou, sem apresentar detalhes, que a intenção do governo argentino é reestruturar toda a dívida pública, interna e externa, estimada em US$ 132 bilhões. Cavallo também agregou que a Argentina é o campeão mundial de empréstimo e que não deve esperar mais assistência de outros governos.
Segundo ele, o primeiro instrumento para que a troca seja bem-sucedida seria a confiança dos argentinos, investidores e poupadores. Esqueceu-se de citar que a arrecadação de impostos seria a garantia. A medida, de acordo com o assessor jurídico do Ministério da Economia, Horácio Liendo, será baixada por decreto, publicado ontem no ''Diário Oficial''. É o subterfúgio para não correr o risco de ter a idéia barrada no Congresso.
''Essa operação que vamos fazer vai tomar algumas semanas'', admitiu Cavallo, ao afirmar que pretende estendê-la ao plano externo. Segundo ele, os que afirmam que o governo fará desconto no valor de face dos títulos ou reestruturação compulsória ''não respeitam as regras do mercado''. ''Quem propõe não pagar a dívida quer quebrar a Argentina'', disse antes o presidente De la Rúa. ''Não teremos futuro se não honrarmos nossos compromissos'', completou o presidente. ''Desde as negociações com o FMI para firmarmos o último acordo (em agosto) sabíamos que não haveria mais dinheiro dos organismos e governos internacionais para a Argentina.''


