O ministro da Economia argentina, Roque Fernández, prometeu cortar as aposentadorias futuras em até 21%, como parte do ajuste acertado com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O objetivo é reduzir os gastos da Previdência. O corte proposto prevê reduções entre 11% e 21% nos valores pagos aos futuros aposentados. As reduções seriam maiores nas aposentadorias mais altas.
A Previdência argentina passa por uma transição em que a maior parte dos assalariados passou a contribuir para um sistema privado de capitalização. Atualmente o sistema público, similar ao brasileiro, convive com o privado, que deverá ser o único no futuro.
O objetivo de Fernández é terminar com a PBU (Prestação Básica Única), que garante a todo aposentado um ganho mínimo de US$ 200. Com as novas regras, essa prestação seria variável. Fernández pretende enviar a reforma da Previdência até julho ao Congresso.
Segundo cálculo do ministério, o governo economizaria US$ 153 milhões no primeiro ano de vigência da lei. No ano seguinte, seriam US$ 261 milhões. A soma iria crescendo conforme mais pessoas se aposentassem. A promessa de Fernández faz parte da nova Carta de Intenções, entregue no fim-de-semana ao Fundo, que prevê uma queda 1,5% no PIB argentino deste ano.
Nesse mesmo documento, foi oficializado o aumento de US$ 150 milhões no déficit fiscal deste ano, cuja meta é agora US$ 5,1 bilhões. O aumento de déficit foi necessário devido às dificuldades políticas de levar adiante um corte de US$ 280 milhões no Ministério da Educação.
Segundo analistas, Fernández deve enfrentar dificuldade para aprovar seu projeto. O próprio ministro do Trabalho, Erman González, já se manifestou contra a redução de aposentadorias, no passado. González está envolvido no mais novo escândalo explorado pela imprensa argentina. Foi descoberto que o ministro recebe uma aposentadoria especial de quase US$ 8.000. Atualmente, o máximo de aposentadoria para ex-ministros é de US$ 3.233. Devido às críticas recebidas, González resolveu abdicar do salário de cerca de US$ 10 mil que recebe como ministro.Arquivo FolhaCartilha do FMIO ministro Argentino Roque Fernández: redução de até 21% nos valores pagos aos aposentadosAgência Folha

mockup