Argentina corre e reestrutura dívida
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segunda-feira, 24 de setembro de 2001
Agência Folha<br> De Buenos Aires 
O governo argentino corre para tentar concretizar antes do fim deste ano a operação de reestruturação de sua dívida pública. A pressa se explica pela necessidade de um alívio nos pagamentos de juros e amortizações já no Orçamento do ano que vem, para conseguir cumprir a meta de déficit zero pautada com o FMI.
O vice-ministro da Economia, Daniel Marx, estava em Washington, onde se reuniu com o diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, e com a nova número dois do organismo, Anne Krugger, a fim de discutir propostas para o refinanciamento da dívida.
Marx também tinha previsto reuniões com funcionários do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Tesouro dos EUA, dos quais a argentina espera uma ajuda financeira adicional para complementar os US$ 3 bilhões comprometidos pelo FMI para impulsionar a reestruturação da dívida.
Inicialmente, a Argentina receberia esse dinheiro em março do ano que vem, mas, segundo informações não-oficiais que correm no Ministério da Economia, a operação poderia ser concluída em novembro ou dezembro.
Para alguns analistas do mercado financeiro local, a operação poderia ser ainda maior que a megatroca de títulos da dívida concluída em junho, que postergou US$ 29,7 bilhões em amortizações da dívida argentina de curto prazo para datas entre 2006 e 2031.
A nova operação de refinanciamento, porém, vem provocando discussões internas no próprio Ministério da Economia. O ministro Domingo Cavallo defende que a arrecadação fiscal seja colocada como garantia para novos títulos, que seriam trocados pelos antigos. Além disso, Cavallo defenderia uma obrigatoriedade às administradoras de fundos de pensão de um investimento de 70% de sua arrecadação nos novos títulos. Essas opções têm a oposição de Marx.
A economia argentina continua produzindo indicadores negativos. As vendas em supermercados caíram 5,1% em agosto em relação a 2000 e 4,1% sobre julho. As vendas em shopping centers tiveram uma queda ainda mais profunda, de 16,2% em relação a agosto de 2000 e de 17% em relação a julho. A queda nas vendas em shoppings nos oito primeiros meses do ano sobre o mesmo período de 2000 é de 12%.


