O Congresso Nacional da Argentina deve receber hoje o projeto de lei que cria uma cesta de moedas para o peso, na qual a moeda argentina estaria vinculada não somente ao dólar (como é atualmente), mas também ao euro. O debate parlamentar sobre o ‘‘Europlano’’ – forma como está sendo chamada a cesta de moedas que o ministro da Economia, Domingo Cavallo, anunciou no fim de semana – começaria a partir desta quinta-feira.
Segundo Cavallo, se fosse aprovada, a cesta começaria a funcionar a partir do momento em que o euro e o dólar tenham um ‘‘encontro’’ e seus valores sejam de uma relação de um para um. Sobre esta data não há previsibilidade alguma. Cavallo diz que poderia ocorrer ‘‘daqui a alguns meses’’, enquanto que outros economistas afirmam que a valorização do euro levaria dois anos.
O plano de cesta do ministro consiste em que 50% do peso estaria fixado pelo dólar, e os 50% restantes ficaria regido pelo valor do euro. No entanto, esta proposta está causando temores, já que os argentinos teriam que deixar a paridade um a um entre o peso e o dólar, existente há dez anos, e sobre a qual está estruturada a previsibilidade monetária do país.
‘‘Será uma desvalorização implícita e suave’’, sem os choques de uma brusca medida do gênero, afirma o analista Sérgio Rabanal. Além disso, ele também especula que, com a criação da cesta, a Argentina poderia assistir ao retorno da indexação, que havia sido abolida desde 1991.
Se houver indexação das tarifas públicas, haverá indexação dos salários, e poderia retornar a inflação, o grande pesadelo argentino das últimas quatro décadas. No Congresso existem reticências em relação ao projeto. O líder do bloco do Partido Justicialista (também conhecido como ‘‘Peronista’’) na Câmara de Deputados, Humberto Ruggero, considera que a cesta consiste em ‘‘uma perigosa entrada na desvalorização’’.

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