Argentina começa semana à espera de definições
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De Buenos Aires 
O governo do presidente Fernando de la Rúa começa hoje mais uma semana de angústias na espera de um anúncio favorável, por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI), de que um acordo de ajuda extra será fechado em breve.
Em Buenos Aires, segundo o secretário de Assuntos Legais e Técnicos do Ministério da Economia, Alfredo CastaÀón, afirmou que o acordo com o FMI ''está quase fechado'', e que somente ''falta uma decisão política'' para conceder a ajuda solicitada pela Argentina. CastaÀón pediu que os argentinos tenham ''paciência''.
O porta-voz da presidência, Juan Pablo Baylac, sustentou que, ontem, as negociações estavam transcorrendo ''bem''. A demora em um anúncio, por parte do FMI, foi analisada por Baylac como algo comum, já que ''esta não é uma negociação normal'', e que por isso, ''está levando tempo''.
Enquanto o acordo demora, informações extra-oficiais circulam rapidamente em Buenos Aires. Fontes citadas pelo jornal ''Clarín'' informaram que o FMI estaria pedindo à Argentina um plano que determine os objetivos econômicos da Argentina até o ano 2010.
Esta seria a única forma de garantir o pedido do governo dos EUA de que a economia argentina deve ser ''sustentável''. Segundo o vice-ministro da Economia, Daniel Marx, enquanto a equipe de negociadores argentinos está analisando com o FMI ''apoio e ajuda'', com o Tesouro dos EUA está sendo conversada ''a definição de uma nova arquitetura financeira internacional, na qual a análise da sustentabilidade de um programa é cada vez mais importante''.
A inquietante pergunta que circula em Buenos Aires é ''o que desta vez será pedido em troca à Argentina?''. No entanto, este plano de longo prazo não incluiria nem a desvalorização da moeda nacional, o peso, nem a dolarização.
O apoio dos Estados Unidos, embora de dura obtenção, é considerado com certa inevitabilidade por analistas em Buenos Aires, já que esse país é o maior investidor estrangeiro na Argentina. Segundo a Fundação Invertir, nos anos 90 os Estados Unidos investiram US$ 28,12 bilhões em território argentino. No ano que vem, os investimentos seriam de US$ 4 bilhões.


