O ajuste fiscal argentino, baixado na semana passada por decreto-lei, aguardava aprovação do Congresso, na noite de ontem, para transformar-se em lei. Negociações do presidente Fernando de la Rúa e do ministro da Economia, Domingo Cavallo, com os parlamentares do bloco de apoio vararam a madrugada de sexta-feira e terminaram em recuo do governo sobre a base de corte nos salários do funcionalismo público e nas aposentadorias.
O importante é a meta de déficit zero, e não como ele vai ser operacionalizado, disse uma fonte do mercado. Ontem, o índice Merval, que mede os negócios na Bolsa de Valores de Buenos Aires, apresentou alta de 4,48%, e a taxa de risco país, que estava em 1.593 pontos-base na quinta-feira, caiu para 1.480 pontos.
Para obter a aprovação do ajuste no Congresso, o governo negociou mudanças que atenuam o impacto social do plano, mantendo intocada a meta de déficit fiscal zero. A notícia da reformulação do ajuste foi confirmada pelo secretário-geral da presidência argentina, Nicolás Gallo.
Segundo Gallo, houve consenso entre o Executivo e os blocos da coalizão Aliança (UCR-Frepaso), de apoio ao governo, em torno de algumas idéias para retirar da abrangência do corte os salários de funcionários públicos e proventos de aposentados inferiores a US$ 1.000.
O decreto do governo impôs um corte de 13% nas aposentadorias acima de US$ 300 e nos salários de todos os servidores do Poder Executivo. com o acordo, esse piso foi restabelecido em US$ 1.000.
As propostas estiveram em discussão durante o dia com os blocos parlamentares do Partido Justicialista (peronista), de oposição, e da Frepaso. Segundo a assessoria de imprensa da Câmara, se houvesse acordo entre os três blocos, a proposta poderia ser votada ainda ontem. O objetivo é conseguir a aprovação do projeto antes de segunda-feira.

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