Argentina barra exportações de caminhões brasileiros
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segunda-feira, 25 de julho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Até ontem, 850 caminhões zero quilômetro, fabricados no Brasil, estavam parados na fronteira com a Argentina, em Uruguaiana (RS), impedidos de entrar no país vizinho. São caminhões, oriundos de montadoras com sede em São Paulo, que estão sendo exportados pelos próprios meios, ou seja rodando. A Argentina está criando dificuldades para os veículos cruzarem o país por falta de emplacamento. Os caminhões têm como destino o Chile, Peru e Equador.
Segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas NTC & Logística, a Gendarmeria, autoridade argentina, exige que os veículos sejam emplacados antes de cruzarem a Argentina. A medida, que entrou em vigor no último dia 15 naquele País, vai afetar também os ônibus fabricados no Brasil.
A montadora Volvo, com fábrica em Curitiba, pode enfrentar essa situação nos próximos dias. A empresa fechou um contrato de exportação de 1.700 ônibus para o Chile, que deverão ser entregues até fevereiro do ano que vem. Segundo a assessoria da empresa, alguns veículos estão recolhidos em garagem próxima à fronteira, aguardando liberação para a passagem pela Argentina.
Para a assessora internacional da NTC & Logística, Sonia Rotondo, não há como não evitar prejuízos. Além da não efetivação dos contratos de exportação com a falta de entrega dos veículos, os fabricantes estão gastando cerca de US$ 90 por dia para manter estadias de motoristas e seguro dos caminhões.
Rotondo lamentou que essa restrição esteja ocorrendo num ano de elevação nas exportações brasileiras de caminhões para a América do Sul. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfávea), neste primeiro semestre a exportação de caminhões aumentou 27% e de ônibus, 83,1%.
Segundo a NTC, as montadoras brasileiras sempre exportaram caminhões e ônibus pela América Latina, por seus próprios meios. Para isso, se valiam de um acordo com a Associação Brasileira de Transporte Internacional (ABTI), que exigia somente a documentação aceita no Cone Sul como a guia de exportação do veículo, ou seja, nota fiscal, seguro dos veículos e conhecimento de Transporte International.
A NTC, em conjunto com a ABTI, enviaram um ofício à Associação Nacional do Transporte Terrestre (ANTT), pedindo que a autoridade brasileira reivindique à Argentina a revogação dessas normas, ou prazo para adequação. A ANTT e o Ministério das Relações Exteriores encaminharam o pedido, mas até agora o governo argentino não se manifestou, informou Rotondo.


