Em menos de um ano e meio sob comando do presidente Fernando de la Rúa, a Argentina deve anunciar na quinta-feira o quinto programa econômico para, mais uma vez, tentar escapar da recessão. Nos últimos 15 meses, o governo tentou aplicar uma série de remédios, mas não acertou nenhum.
Até agora, o fracasso no diagnóstico mostra que, apesar de quatro planos econômicos (três dos quais se referem a ajustes fiscais) baixados pelo ex-ministro de Economia José Luis Machinea, o país nunca consegui colocar-se à frente dos acontecimentos internos e externos, com o qual também nunca conseguiu reduzir o risco país (sobretaxa que a Argentina paga por sua dívida), uma das – se não a maior – prioridades do recém-empossado ministro Ricardo López Murphy.
O ministro deve propor também a privatização do Banco Nación (uma espécie do Banco do Brasil), antiga e insistente exigência do FMI. A venda desse banco, porém, tem oposição cerrada do Frepaso, um dos partidos que sustentam a Aliança.
A prioridade de Murphy, entretanto, é controlar o défict fiscal para reduzir o risco argentino e, com isso, permitir a retomada do crescimento. Logo depois que assumiu, em dezembro de 1999, Machinea baixou um duro pacote com aumento de impostos. Não funcionou. Alguns meses depois, o ex-ministro decidiu implementar um corte de gastos públicos de quase US$ 1 bilhão. Também nao adintou.
Semanas depois, em dezembro, quando cresciam os rumores de um eventual e inevitável ‘‘deafult’’, o governo iniciou uma penosa negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e com outros organismos multilaterais de financiamento para conseguir uma linha de crédito de quase US$ 40 bilhões e tentou convencer os argentinos e a comunidade internacional de que esses recursos aliviariam o país do risco e alavancaria o crescimento. De nada serviu.

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